FRANÇA

Espancamento de negro causa vergonha a Macron

Presidente classifica de "inaceitáveis" cenas de agressão ao produtor musical negro Michel Zecler e condena racismo. Policiais envolvidos foram afastados e detidos

Correio Braziliense
postado em 27/11/2020 18:22

O presidente francês, Emmanuel Macron, tuitou, na tarde de ontem: “As imagens que todos nós vimos da agressão a Michel Zecler são inaceitáveis; elas nos envergonham”. Quatro policiais espancaram Zecler, um produtor musical negro, na porta de seu estúdio em Paris. Na cena, que dura vários minutos e foi capturada pelas câmeras de segurança, os agentes aparecem socando, chutando e golpeando a vítima com um cassetete. Os agentes teriam chamado a atenção do homem pelo fato de ele não estar usando máscara. “A França nunca deve aceitar a violência ou a brutalidade, de onde quer que venham. A França jamais deve permitir que o ódio ou racismo floresça”, escreveu Macron.
O espancamento reabriu um debate sobre o preconceito racial e a violência policial no país, em plena polêmica sobre um projeto de lei voltado para a área da segurança. As imagens, divulgadas na quinta-feira pelo site Loopsider, provocaram uma onda de indignação por toda a França. Os policiais que abordaram e agrediram Zecler foram detidos, ontem, para interrogatório na sede da Inspeção Geral da Polícia Nacional (IGPN).
A consternação atingiu os mais altos escalões do governo e do mundo do esporte. Grandes estrelas do futebol, como Antoine Griezmann ou Kylian Mbappé, reagiram com revolta ao vídeo que viralizou nas redes sociais. O novo caso de violência policial também estampou as primeiras páginas dos principais jornais franceses. “Náusea”, foi a manchete do jornal Libération na primeira página, mostrando uma foto do rosto coberto de sangue de Zecler; à noite, o Le Monde publicou, também na capa, imagens da polícia agredindo o produtor.

Suspensão

Depois de reunir-se com Macron, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, suspendeu os policiais e disse que eles “mancharam o uniforme da República”. A promotoria de Paris abriu uma investigação por “violência” e “falsificação de registros públicos”. Segundo Michel Zecler, que apresentou queixa, os policiais o chamaram repetidamente de “negro de m...” enquanto o espancavam.
O caso coincide com o debate sobre um polêmico projeto de lei de segurança que tem como objetivo restringir o direito de filmar policiais durante suas intervenções. A lei foi denunciada por jornalistas, que a consideram uma violação da liberdade de imprensa. Uma manifestação está marcada para hoje, em Paris.

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