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Papa lembra 'urgência de promover uma nova mentalidade econômica'

O papa também advertiu que "depois que a crise de saúde em que nos encontramos passar, a pior reação seria cair ainda mais na febre consumista"

O papa Francisco defendeu neste sábado (21) em um encontro virtual com jovens empresários de diversos países a "urgência" de se apostar em uma "nova mentalidade econômica" que permita ajudar os "negligenciados", os pobres e os excluídos.

Em uma mensagem em vídeo transmitida à tarde aos participantes do congresso, o pontífice argentino assegurou que: "O futuro é o momento especial em que nos sentimos convocados a reconhecer a urgência e a beleza do desafio que se apresenta. Um tempo que nos lembra que não estamos condenados a modelos econômicos (...) e na busca por políticas públicas afins que ignorem seu custo humano, social e ambiental".

"A gravidade da situação atual, que a pandemia de covid colocou ainda mais em evidência, exige uma responsável tomada de consciência de todos os atores sociais", acrescentou.

O papa também advertiu que "depois que a crise de saúde em que nos encontramos passar, a pior reação seria cair ainda mais na febre consumista e em novas formas de autopreservação egoísta".

Após sua chegada ao Vaticano há mais de sete anos, Francisco criticou em várias ocasiões o modelo econômico atual por seu cinismo, indiferença às desigualdades sociais e redução dos recursos naturais do planeta.

No início de outubro, ele publicou a encíclica "Fratelli tutti" (Todos Irmãos), na qual chama o "dogma neoliberal" de "pensamento pobre" e acusa a "especulação financeira" de se basear no "lucro fácil".

"É tempo, queridos jovens (...), de se arriscar a fomentar e estimular modelos de desenvolvimento, progresso e sustentabilidade onde as pessoas, mas sobretudo os excluídos - nos quais incluo a irmã Terra - deixem de ser, no melhor dos casos, uma presença meramente nominal, técnica ou funcional para se transformarem em protagonistas", declarou o pontífice.

Intitulada "Economia de Francisco", esta videoconferência internacional de três dias foi acompanhada por cerca de 2 mil jovens empresários e estudantes de 40 países que desejam mudar os modelos econômicos atuais e promover um futuro menos desigual.