Pandemia

Alemanha tem recorde diário de mortes por covid-19 no dia em que retoma confinamento

Nesta quarta-feira (16/12) a Alemanha retoma o confinamento parcial com o fechamento das escolas e dos estabelecimentos comerciais não essenciais.

Agência France-Presse
postado em 16/12/2020 08:54 / atualizado em 16/12/2020 08:55
Uma mulher idosa espera no semáforo enquanto o mercado de Natal está sendo desmontado ao fundo na Tauentzienstrasse, uma grande rua comercial na área de City West Charlottenburg em Berlim em 16 de dezembro de 2020, em meio à pandemia de coronavírus.  -  (crédito: Odd ANDERSEN / AFP)
Uma mulher idosa espera no semáforo enquanto o mercado de Natal está sendo desmontado ao fundo na Tauentzienstrasse, uma grande rua comercial na área de City West Charlottenburg em Berlim em 16 de dezembro de 2020, em meio à pandemia de coronavírus. - (crédito: Odd ANDERSEN / AFP)

A Alemanha entrou nesta quarta-feira em um novo confinamento parcial que pode durar mais que o esperado diante da preocupante propagação da pandemia de covid-19 e a explosão do número de mortes, que registrou um nível recorde para apenas um dia.

Um total de 952 pessoas morreram nas últimas 24 horas e o país também registrou 27.728 novos casos confirmados de covid-19, segundo o instituto de vigilância epidemiológica Robert Koch.

O número de contágios se aproximou do recorde de quase 30 mil casos de sexta-feira passada.

O recorde anterior de mortes em apenas um dia era 11 de dezembro, com quase 600 vítimas fatais.

A situação dos Unidades de Terapia Intensiva é cada vez mais preocupante 83% dos leitos de reanimação das clínicas alemãs estão ocupados, segundo a Federação de Medicina Intensiva (Divi).

Ainda há quase 5 mil leitos disponíveis, contra 9 mil de meados de outubro.

Assim como outros países europeus, a Alemanha decidiu ampliar as restrições de viagens antes do Natal.

No Reino Unido, pubs, restaurantes e hotéis de Londres terão que fechar pela terceira vez este ano, a Dinamarca aplica um confinamento parcial em todo o país e a Holanda decretou um fechamento de cinco semanas, que começou na terça-feira.

A França, onde bares, restaurantes e centros culturais estão fechados desde o fim de outubro, aplica um toque de recolher entre 20h00 e 6h00.

Na Alemanha, o cenário atual contrasta com a primeira onda da pandemia, no primeiro semestre, que o país conseguiu administrar bem.

"Fique em casa"

Os alemães retomaram nesta quarta-feira o confinamento parcial, que recorda as medidas aplicadas durante várias semanas na primavera (hemisfério norte, outono no Brasil), com o fechamento das escolas e dos estabelecimentos comerciais não essenciais.

As autoridades desejam aplicar pelo menos até 10 de janeiro o princípio 'fique em casa' em todo o país, de acordo com o texto da resolução aprovada no domingo em uma reunião entre a chanceler Angela Merkel e os governantes dos 16 estados regionais.

Os contatos sociais serão muito restritos entre 24 e 26 de dezembro. As reuniões serão autorizadas apenas entre parentes muito próximos.

As celebrações de Ano Novo serão reduzidas ao mínimo, com a proibição das vendas de fogos de artifício e das reuniões.

As medidas têm o objetivo de evitar o colapso do sistema hospitalar.

Na capital Berlim, a taxa de ocupação dos serviços que atendem os casos mais graves de covid-19 já supera 88%.

Em várias cidades, a população correu para fazer as compras de Natal antes do fechamento das lojas.

"Espero que as compras de segunda-feira e terça-feira não nos penalizem", disse Angela Merkel.

"A curva (de infecções) é muito ruim", advertiu a chanceler durante uma reunião com parlamentares da bancada conservadora.

"A vacina nos ajudará, mas a evolução da pandemia continua sendo imprevisível", completou, enquanto o governo pressiona a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para que valide o mais rápido possível a vacina dos laboratórios Pfizer-BioNTech.

A campanha de vacinação na Alemanha pode começar antes do fim do ano.

"Poderemos voltar gradualmente à normalidade a partir do verão", prometeu o ministro da Saúde, Jens Spahn.

Um funcionário da Associação Médica Mundial, Frank Ulrich Montgomery, disse que espera medidas de confinamento "ao menos até a Páscoa".

"Mesmo que as vacinas cheguem antes do esperado, contribuirão lentamente para melhorar a situação", afirmou.

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