Pandemia

Coronavírus deixa o mundo sem celebrações de Ano Novo

As novas ondas da pandemia obrigam uma maioria a acompanhar os festejos do sofá de casa, após meses de restrições pela covid-19, que deixou cerca de 1,8 milhão de mortos em todo mundo

Agência France-Presse
postado em 31/12/2020 10:57 / atualizado em 31/12/2020 21:09
 (crédito: Bay ISMOYO / AFP)
(crédito: Bay ISMOYO / AFP)

O planeta começou, nesta quinta-feira, a deixar para trás o ano de 2020, marcado pela pandemia do novo coronavírus, que obrigará bilhões de pessoas a celebrar a passagem de ano dentro de casa. As novas ondas da pandemia obrigam uma maioria a acompanhar os festejos do sofá de casa, após meses de restrições pela covid-19, que deixou cerca de 1,8 milhão de mortos em todo mundo.

De Sydney a Roma, as pessoas assistirão a fogos de artifício e shows pela televisão, ou pela tela do computador - desde que as festividades não tenham sido canceladas. O pequeno arquipélago de Kiribati e as ilhas Samoa no Pacífico foram, às 10h GMT (7h em Brasília), os primeiros a chegarem a 2021, enquanto as ilhas desabitadas de Howland e Baker terão de esperar mais 26 horas.

A Nova Zelândia, país aplaudido por sua gestão da pandemia, deu as boas-vindas ao novo ano uma hora depois, com grandes multidões reunidas em Auckland para ver um show de fogos de artifício.

Embora continue isolado pelo fechamento das fronteiras, a Nova Zelândia pôde celebrar a chegada de 2021 com relativa normalidade - restam apenas algumas restrições. Há meses, o país não registra qualquer caso de transmissão local.

Em Sydney, a maior cidade da Austrália, os famosos fogos de artifício do Ano Novo iluminaram o porto, com uma exibição deslumbrante às 13h GMT (10h em Brasília). Foram poucos espectadores.

Os planos para permitir a presença de multidões foram descartados depois do surgimento de um recente surto de contágio, no norte da cidade, que soma em torno de 150 casos. Nesse contexto, as viagens de e para Sydney foram restringidas.

Em Tóquio, que entrou em 2021 às 15h GMT (12h em Brasília), os moradores enfrentam a perspectiva de um novo estado de emergência. O país registrou um recorde diário de 1.300 novas infecções por coronavírus.

Reuniões proibidas 

Na Europa, a Itália, onde fotos de funerárias improvisadas e cuidadores exaustos alertaram o restante do planeta sobre a gravidade da crise, está sujeita a um confinamento de sua população até 7 de janeiro e a um toque de recolher a partir das 22h.

Os romanos vão assistir, da sala de casa, às festas no Circus Maximus, o estádio mais antigo da cidade. No programa, estão previstas duas horas de shows e a iluminação dos lugares mais emblemáticos da cidade. Do Brasil à Letônia, passando pela França, serão destacados policiais e soldados - em alguns casos - para garantir o cumprimento do toque de recolher e a proibição de reuniões.

Em Londres, cidade gravemente afetada pela pandemia, a cantora norte-americana Patti Smith, 74 anos, deveria fazer uma apresentação ao vivo em homenagem aos cuidadores do NHS, sistema público de saúde do Reino Unido, que morreram de covid-19. Mas devido à crise sanitária, a transmisão do espetáculo por um telão na Piccadilly Circus foi cancelada e a exibição será feita apenas pelo YouTube.

A chanceler alemã, Angela Merkel, aproveitou sua mensagem de Ano Novo para lembrar que essa crise "histórica" do coronavírus continuará até 2021, mesmo que a vacina tenha trazido "esperança". "A esperança está lá, na vacina que a engenhosidade humana conseguiu criar em apenas um ano", disse o presidente francês Emmanuel Macron em seu último discurso em 2020.

O presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu em seu discurso de fim de ano que uma segunda onda do coronavírus está sacudindo a Rússia. “Infelizmente, ainda não paramos a epidemia. O combate à epidemia não para por um minuto”, afirmou.

Reuniões sociais 

Em Dubai, milhares de pessoas assistiram à queima de fogos de artifício e show de iluminação a laser na Burj Khalifa, a torre mais alta do mundo - apesar dos novos casos. Todas as pessoas eram obrigadas a usar máscara, ou se registrar com um código QR.

Em Beirute, capital do Líbano, uma cidade que ainda se recupera da explosão mortal e devastadora de 4 de agosto passado no porto, as autoridades também flexibilizaram as medidas. O toque de recolher agora é a partir das 3 da manhã. Bares, restaurantes e boates reabriram, e grandes festas de fim de ano foram organizadas.

Às margens do Baikal, na Sibéria, onde as temperaturas caem até -35ºC, um grupo de russos emerge revigorado depois do tradicional mergulho no gelo, na véspera do Ano Novo. No mundo todo, porém, teme-se um amanhã difícil.

No Brasil, segundo país mais afetado do mundo, os médicos também temem uma nova onda. Vídeos de pessoas sem máscara circulam nas redes sociais, e as emissoras de televisão veiculam imagens de policiais fechando bares cheios de clientes.

As redes sociais estão repletas de fotos e vídeos de clubes e restaurantes lotados de pessoas sem máscaras, o que está levando as autoridades locais a considerarem um novo confinamento após as festas.

"O pico da pandemia foi entre maio e julho, que foi quando não havia muito movimento e nos cuidamos mais. Agora há muitos casos, e as pessoas estão agindo como se não houvesse uma pandemia", disse Luiz Gustavo de Almeida, microbiologista da Universidade de São Paulo (USP).

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