Presente nos pulmões

Sensor natural acusa o risco de covid

Correio Braziliense
postado em 13/01/2021 19:51

Cientistas do Instituto Sanford Burnham, na Califórnia, identificaram o “sensor” presente nos pulmões humanos que detecta o Sars-CoV-2 e sinaliza que é hora de montar uma resposta antiviral. O estudo, publicado na revista Cell Reports, também traz novas informações sobre a base molecular da forma grave da covid-19 e pode levar a novas estratégias para o tratamento e a prevenção da doença, dizem os autores.
“Nossa pesquisa mostrou que o MDA-5 atua como um ‘policial imunológico’, é encarregado de ficar de olho no Sars-CoV-2 e pedir reforços”, ilustra Sumit Chanda, diretor do Programa de Imunidade e Patogênese do instituto e autor sênior do estudo. “O MDA-5 reconhece o vírus em replicação nas células pulmonares e ativa o interferon, o defensor da linha de frente do próprio corpo contra a invasão viral. Sem uma resposta apropriada do interferon, as infecções virais podem levar a reações inflamatórias letais fora de controle.”
O grupo de cientistas estudou 16 proteínas de ligação ao RNA viral em células epiteliais do pulmão humano e identificou o MDA-5 como o sensor predominante responsável pela ativação do interferon. Ele detecta o RNA viral de fita dupla — uma forma que o vírus Sars-CoV-2 assume quando se replica para espalhar a infecção. Antes da pesquisa, sabia-se que a ativação do interferon é a chave para uma resposta imunológica coordenada ao vírus, mas o interruptor sentinela que controla o processo era desconhecido.
Controle da infecção
“Compreender a biologia de um vírus e como ele é detectado é fundamental para controlar a infecção e a disseminação da doença”, diz Chanda. “O Sars-CoV-2 parece desabilitar o braço imunológico inato do nosso sistema de vigilância, que, no caso desse coronavírus, é controlado pelo MDA-5, e impede a ativação do interferon. É a resposta do interferon que impulsiona a ativação subsequente de muitos genes que exercem atividades antivirais, e os dados sugerem que precisamos dessa atividade para controlar os estágios iniciais da infecção viral e evitar os piores prognósticos da doença.”
Segundo o cientista, ao derrotar as táticas ofensivas do vírus e ativar o interferon, o corpo pode influenciar a gravidade da doença. “Estudos anteriores mostraram que as respostas do interferon são maiores em pacientes com casos leves a moderados, em comparação com níveis reduzidos em pacientes criticamente enfermos”, justifica. “Ainda há uma necessidade tremenda de desenvolver terapias eficazes para a covid-19 e de se preparar para surtos futuros. É possível que os pacientes que ficam gravemente enfermos sejam deficientes na via de sinalização do interferon.”
Chanda acredita que a pesquisa abre novos caminhos para terapias que aumentam a sinalização do MDA-5 e incrementa os níveis de interferon no início da infecção. Dessa forma, seria possível prevenir a forma grave da covid-19, aqueles que demandam cuidados intensivos e são mais letais.

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