Pandemia

Pfizer garante à UE entrega de vacinas contra a covid-19 no primeiro trimestre

A gigante farmacêutica confirmou nesta sexta-feira que haveria atrasos nas entregas das doses confirmadas por conta de obras em uma fábrica de produção

Agência France Presse
postado em 15/01/2021 15:24 / atualizado em 15/01/2021 15:26
 (crédito: JOEL SAGET / AFP)
(crédito: JOEL SAGET / AFP)

A direção do laboratório Pfizer garantiu que as doses de sua vacina contra a covid-19 esperadas pela UE no primeiro trimestre deste ano serão entregues no prazo acordado, declarou nesta sexta-feira (15) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Devido ao anúncio de atrasos na produção, "liguei para o diretor-geral da Pfizer (...). Ele me garantiu que todas as doses garantidas para o primeiro trimestre serão entregues" nesse prazo, disse Von der Leyen em coletiva de imprensa em Lisboa.

De acordo com a dirigente, o diretor da Pfizer "está pessoalmente empenhado no plano de reduzir o período de atrasos e garantir que as entregas recuperem o ritmo o mais rápido possível". Segundo Von der Leyen, é "importante fazer chegar a mensagem de que precisamos urgentemente das doses garantidas".

A gigante farmacêutica confirmou nesta sexta-feira que haveria atrasos nas entregas das doses confirmadas por conta de obras em uma fábrica de produção na Bélgica, iniciadas para atender a demanda.

"A Pfizer está trabalhando duro para entregar mais doses que as inicialmente previstas este ano com um novo objetivo declarado de 2 bilhões de doses em 2021", justificou o grupo em uma mensagem enviada à AFP

A empresa destacou que as mudanças no processo de produção das vacinas "exigem aprovações regulatórias adicionais" e podem gerar "oscilações nos horários de pedidos e entregas na fábrica de Puurs" na Bélgica.

No total, os pedidos antecipados de Bruxelas para a Pfizer/BioNTech representam 500 milhões de doses, com uma opção de 100 milhões adicionais.

Como as duas doses devem ser administradas com poucas semanas de diferença entre si, "existe uma necessidade médica de aderir ao programa que acordamos e de garantir as entregas" conforme o previsto, destacou Von der Leyen.

"Profunda preocupação" 

O anúncio gerou preocupação no bloco. O governo alemão, que anunciou que a entrega das vacinas atrasará "de 3 a 4 semanas", criticou um anúncio "inesperado" e pediu a Bruxelas garantias de "clareza e segurança".

A Noruega, que não faz parte da UE mas sim da compra conjunta de vacinas por parte da Comissão, calculou por sua vez que o atraso representaria uma redução de 18% no volume de doses previstas inicialmente.

Em um contexto de críticas pela lentidão da campanha de vacinação, seis ministros europeus da Saúde assinaram nesta sexta-feira uma carta na qual expressaram sua "profunda preocupação" com os atrasos nas entregas de vacinas da Pfizer e BioNTech.

Ministros da Dinamarca, Estônia, Finlândia, Lituânia, Letônia e Suécia protestaram em uma carta conjunta, na qual destacaram que a situação é "inaceitável" e que "diminui a credibilidade do processo de vacinação".

Em uma coletiva de imprensa junto com o primeiro-ministro português Antonio Costa - cujo país assumiu a presidência rotatória da UE em 1o de janeiro -, Von der Leyen se esforçou para dissipar as preocupações desses seis países.

"Esta não é a primeira vez que uma empresa anuncia atrasos nas entregas por um breve período (...), outras tiveram que atrasar o envio de sua vacina à Agência Europeia de Medicamentos", disse. Von der Leyen, que relativizou o atraso, lembrou que o cartão de vacinas negociado pela Comissão Europa representa mais de 2 bilhões de doses.

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