Pandemia

EUA e OMS voltam a pedir mais dados à China sobre origem do coronavírus

Os especialistas da OMS enviados à China pareceram ter excluído a hipótese de que o vírus tenha escapado do Instituto de Virologia de Wuhan, como sugerido por Donald Trump

Agência France Presse
postado em 14/02/2021 13:24
 (crédito: ANWAR AMRO / AFP)
(crédito: ANWAR AMRO / AFP)

Estados Unidos e especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediram no sábado mais dados à China sobre a origem do coronavírus, que na Europa já causou mais de 800.000 mortes e na América Latina mais de 20 milhões de casos.

"Queremos mais dados. Pedimos mais dados", declarou à AFP em Genebra Peter Ben Embarek, que liderou uma missão de um mês da OMS em Wuhan, na China, onde o vírus foi descoberto em dezembro de 2019.

"Há uma mistura de frustrações, mas também de expectativas realistas em termos do quê se pode fazer considerando as exigências de tempo", disse o especialista, antes de afirmar que espera que os dados pedidos sejam entregues para poder avançar.

"Fortes preocupações" 

Estados Unidos tem "profundas preocupações sobre a maneira em que os primeiros resultados da investigação foram comunicados e sobre pontos do procedimento utilizado para chegar até eles", disse a Casa Branca.

"Para compreender mais esta pandemia e preparar para a próxima, Pequim deve disponibilizar seus dados desde os primeiros dias do surto", disse o assessor de Segurança Nacional americano Jake Sullivan.

Os especialistas da OMS enviados à China pareceram ter excluído na segunda-feira a hipótese de que o vírus tenha escapado do Instituto de Virologia de Wuhan, como sugerido pelo governo antecessor de Donald Trump.

Mas o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na sexta-feira que "todas as hipóteses continuam sobre a mesa". Depois dos Estados Unidos (484.149 mortos), os países mais enlutados são Brasil (238.500), México (172.557), Índia (155.550) e Reino Unido (116.287).

No meio desses números preocupantes, uma luz de esperança: nos últimos sete dias houve uma média de 87.226 infecções diárias, 9% a menos que na semana anterior.

Desde 3 de fevereiro, a média de infecções diárias na América Latina esteve abaixo das 100.000 registradas em janeiro, o mês mais intenso em contágios com uma média de 120.000 novos casos diários. Depois do Brasil, os países mais afetados são Colômbia (2,19 milhões de casos, 57.425 mortos), Argentina (2,02 milhões, 50.188), México (1,98 milhão, 173.771) e Peru (1,22 milhão, 43.491).

800 mil mortos na Europa 

Mais de 800.000 mortes de covid-19 foram registradas oficialmente na Europa. Os 52 países e territórios da região (que inclui Rússia e Turquia) totalizavam 800.857 mortes (contra 35.418.797 casos declarados), segundo a contagem da AFP.

Na região, onde a vacinação avança de forma muito desigual, também há sinais de esperança. Na semana passada, a Europa registrou uma média de 4.478 mortes diárias, 14% a menos que na semana anterior.

Falta de doses no Brasil 

As campanhas de vacinação mostram um ritmo muito desigual. No Brasil, onde 4,5 milhões de pessoas foram imunizadas, a campanha já está ameaçada pela falta de doses, segundo informações das autoridades de vários estados.

Nos Estados Unidos, alguns países da União Europeia e outros países sul-americanos, como Argentina, a campanha começou no final de 2020. No Chile, depois de onze dias, 1,8 milhão de pessoas já foram vacinadas, mais da metade maiores de 71 anos.

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