CRIME HISTÓRICO

EUA deporta para Alemanha ex-guarda de campo de concentração nazista de 95 anos

Friedrich Karl Berger, que viveu no Tennessee e tinha cidadania alemã, foi deportado por ter sido guarda armado do campo de concentração Neuengamme, em 1945, afirmou o departamento

Agência France-Presse
postado em 20/02/2021 14:26
 (crédito: Hulton Archive/AFP/Arquivo)
(crédito: Hulton Archive/AFP/Arquivo)

Um cidadão alemão de 95 anos que foi guarda de um campo de concentração nazista e vivia nos Estados Unidos foi deportado para a Alemanha neste sábado (20/2) - informou o Departamento americano de Justiça.

Friedrich Karl Berger, que viveu no Tennessee e tinha cidadania alemã, foi deportado por ter sido guarda armado do campo de concentração Neuengamme, em 1945, afirmou o departamento.

Berger foi deportado por participar de "atos de perseguição promovidos pelos nazistas", acrescentaram as autoridades judiciais.

"A deportação de Berger demonstra o compromisso do Departamento de Justiça e das autoridades com garantir que os Estados Unidos não sejam um lugar seguro para aqueles que participaram de crimes nazistas contra a humanidade e de outros abusos aos direitos humanos", disse o procurador-geral interino, Monty Wilkinson.

Um juiz de imigração ordenou em março do ano passado a deportação de Berger, que morava nos Estados Unidos desde 1959.

Berger estava estacionado perto de Meppen, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, onde os prisioneiros foram mantidos em condições "atrozes" e trabalhavam "até a morte", disse a juíza Rebecca Holt, em sua decisão.

No julgamento, Berger admitiu que evitou que prisioneiros escapassem do campo de concentração de Neuengamme. Disse ainda não saber que os presos eram maltratados e que alguns morreram. Garantiu que apenas seguia ordens.

A Justiça também descobriu que, em março de 1945, ante o avanço das forças britânicas e canadenses, Berger ajudou a vigiar prisioneiros, enquanto eram evacuados à força, em condições desumanas. Pelo menos 70 pessoas morreram.

Entre os presos, havia "judeus, poloneses, russos, dinamarqueses, alemães, letões, franceses, italianos e opositores políticos" dos nazistas, detalhou a Procuradoria Geral dos Estados Unidos.

Mais de 40.000 prisioneiros morreram no campo de concentração de Neuengamme, de acordo com os registros históricos.

Berger voou para a Alemanha neste sábado e desembarcou em Frankfurt, onde será interrogado. Ainda não está claro se ele será julgado em seu país de origem. A Justiça alemã abandonou o processo contra Berger em dezembro de 2020, citando evidências insuficientes.

O Departamento americano de Justiça reuniu provas de arquivos americanos e europeus, "incluindo registros do histórico julgamento de Nuremberg".

Este ano, completa-se o 75º aniversário do julgamento de Nuremberg, durante o qual juristas dos países Aliados, vencedores da Segunda Guerra Mundial, submeteram a processo as principais figuras do regime nazista sob a lei internacional. Doze acusados foram condenados à morte.

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