Inspeção nuclear

ONU chega a "solução temporária" com Irã

Correio Braziliense
postado em 21/02/2021 22:22
 (crédito: Alex Halada/AFP)
(crédito: Alex Halada/AFP)

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, anunciou que acordou uma “solução temporária” com Teerã para manter uma vigilância “satisfatória” e limitar o alcance do programa nuclear iraniano. A saída, com três meses de duração, foi anunciada às vésperas da adoção de uma norma — aprovada, em dezembro, pelo parlamento iraniano — que limita a realização de inspeções internacionais até os Estados Unidos suspenderem sanções impostas ao país.

Grossi informou que, como o previsto, a nova lei iraniana será aplicada a partir de terça-feira, o que resultará na suspensão do Protocolo Adicional, um dos acordos alcançados pelo Irã e pela agência das Nações Unidas que rege as inspeções. “O acesso será reduzido, não se engane, mas seremos capazes de manter o nível necessário de vigilância e verificação”, explicou. “Isso salva a situação imediata.”

O chefe da AIEA reuniu-se, durante dois dias, com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, e o chefe da Organização de Energia Atômica Iraniana, Ali Akbar Salehi. Grossi não deu detalhes sobre quais atividades a agência terá que interromper, mas confirmou que o acordo temporário permitirá a realização de inspeções aleatórias. O novo contrato, porém, poderá ser suspenso a qualquer momento, alertou. “É claro que, para alcançar uma situação estável, será preciso uma negociação política, e isso não depende de mim.”

Após a retirada unilateral dos EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano e o restabelecimento das sanções, Teerã foi gradativamente deixando de cumprir os compromissos que havia assumido em 2015 no texto assinado com EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China. Hoje, chanceleres da União Europeia vão se reunir para discutir, entre outras questões, medidas para evitar o colapso total do acordo nuclear.

Sanção à Rússia e à Venezuela

Os chanceleres da UE se reúnem em Bruxelas para discutir quais sanções serão aplicadas a países que cometeram violações de direitos humanos, como Rússia e Venezuela. A expectativa é de que deem prioridade aos desdobramentos da recente negativa do governo russo ao pedido europeu de liberdade para Alexei Navalni, principal opositor do presidente Vladimir Putin, preso no mês passado. Fontes consultadas pela Agência France-Presse (AFP) de notícias indicam que o grupo pode ativar o “regime de sanções individuais”, aprovado em dezembro, que possibilita o congelamento de bens e proíbe a entrada nos países-membros de pessoas diretamente implicadas nos casos analisados. Para tentar diluir o impacto político da punição, a UE estuda a possibilidade de aplicar o mesmo mecanismo a outros países, como a Venezuela, que pode ser punida devido à negativa de Nicolás Maduro em adiar as eleições legislativas realizadas em dezembro passado.

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