GOLPE EM MIANMAR

Chanceleres da UE decidem sancionar militares

Correio Braziliense
postado em 22/02/2021 21:07

Os ministros das Relações Exteriores dos países membros da União Europeia condenaram, ontem, energicamente, o golpe de Estado em Mianmar e estão prontos para impor sanções aos líderes da ação. “Os chanceleres da UE decidiram aplicar sanções direcionadas aos interesses econômicos e financeiros dos militares, porque, naquele país, eles são empresários e proprietários de partes da economia”, anunciou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. em coletiva de imprensa, em Bruxelas.
“Alcançou-se um acordo político para sancionar os militares e foi lançado o trabalho técnico pra finalizar (as medidas) e para que sejam adotadas”, afirmou uma fonte diplomata, acrescentando: “Isso pode acontecer muito rápido”.
Os ministros exigiram uma “desescalada da crise, mediante o fim imediato do estado de emergência, a restauração do governo civil legítimo e a abertura do Parlamento recém-eleito”. Pediram ainda a libertação “imediata e incondicional” do presidente Win Myint, da conselheira Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz, e de todos os detidos, ou presos, por relação com o golpe.

Protesto

Três semanas depois do golpe, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas em Mianmar para denunciar o golpe de Estado militar. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, voltou a pedir ao Exército que “pare a repressão imediatamente” e liberte os prisioneiros. A despeito dos apelos internacionais, a junta militar advertiu que os participantes nos protestos correm o risco de morte.
O fim de semana foi marcado pela morte de três manifestantes. Na sexta-feira, uma jovem não resistiu após ser atingida por um tiro em uma passeata.
“Os manifestantes estão incitando as pessoas, sobretudo os adolescentes e jovens exaltados, a seguirem o caminho do confronto no qual morrerão”, afirmou um comunicado, — em birmanês, com legendas em inglês —, divulgado no canal de televisão estatal MRTV, pelas autoridades no poder .
“Um lembrete para a junta: diferentemente de 1988, as atuações das forças de segurança são gravadas e vocês terão que prestar contas”, reagiu, no Twitter, o encarregado especial da ONU para os direitos humanos em Miamnar, Tom Andrews.
As ameaças dos militares não intimidaram os manifestantes, que voltaram a se concentrar às centenas de milhares nas ruas de Yangon, a capital econômica de Mianmar. Em Bahan, um dos bairros da cidade, os manifestantes sentaram no chão e exibiram bandeiras de apoio à chefe de Governo civil deposta, Aung San Suu Kyi, detida desde 1º de fevereiro em um local não divulgado.
“O Exército tomou o poder injustamente do governo civil eleito”, afirmou um manifestante de 29 anos, que pediu anonimato. “Lutaremos até obter nossa liberdade, democracia e justiça”. Muitos mercados e estabelecimentos comerciais permaneceram fechados em solidariedade ao movimento pró-democracia.
Também foram registradas manifestações na capital, Naypyidaw, e nas cidades de Myitkyina (norte) e Dawei (sul).

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