Política

Pablo Iglesias deixará governo para disputar presidência de Madri

Iglesias ocupava a vice-presidência de Direitos Sociais desde janeiro de 2020 quando o Podemos entrou no Executivo como sócio menor dos socialistas

Agência France Presse
postado em 15/03/2021 11:23 / atualizado em 15/03/2021 14:46
 (crédito: ANDRES BALLESTEROS / POOL / EFE / AFP)
(crédito: ANDRES BALLESTEROS / POOL / EFE / AFP)

O líder do partido de esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias, anunciou nesta segunda-feira (15) que deixará seu cargo de vice-presidente no governo espanhol para disputar a presidência regional de Madri nas eleições de 4 de maio.

"Vou me candidatar às eleições de 4 de maio próximo na Comunidade de Madri", hoje controlada pela direita, afirma Iglesias em um vídeo publicado em suas redes sociais.

Iglesias, que ocupava a vice-presidência de Direitos Sociais desde janeiro de 2020 quando o Podemos entrou no Executivo como sócio menor dos socialistas, disse ter informado ao presidente do governo, o socialista Pedro Sánchez, sua "decisão de deixar o cargo no governo quando a campanha começar".

Na França, onde está em uma cúpula bilateral com o presidente francês Emmanuel Macron, Sánchez desejou "sorte em sua nova carreira política" e reconheceu seu "apoio" ao governo, embora tenha evitado confirmar quem será seu substituto.

Na liderança do Podemos desde a sua criação em 2014, Pablo Iglesias apontou a atual ministra do Trabalho Yolanda Díaz como nova possível liderança do partido no Executivo e herdeira de sua vice-presidência.

É "um Pablo Iglesias de retirada (dentro do Podemos), que não concorrerá" como candidato a presidente do governo nas eleições gerais, que devem acontecer em 2023 se o governo de coalizão encerrar a legislatura, algo "difícil" devido aos contratempos políticos, estimou à AFP Pablo Simón, cientista político da Universidade Carlos III de Madri.

Aposta "arriscada" 

O anúncio ressoou como uma bomba política na Esapnha, a um ano da entrada do Podemos no Executivo como sócio menor dos socialistas em janeiro de 2020, no qual é o primeiro governo de coalizão no país fim da ditadura franquista em 1975.

Ocorre em um contexto de crescentes tensões entre os socialistas de Pedro Sánchez e o Podemos, que reivindica posturas mais à esquerda.

Figura pouco apreciada entre os socialistas, Iglesias foi vetado por Sánchez de entrar no governo, até que finalmente cedeu depois de uma repetição das eleições em novembro de 2019.

Em um momento em que o Podemos perde força, a decisão de Iglesias é também uma aposta arriscada, já que deixa a política nacional sem a garantia de que conseguirá deslocar a direita em Madri, a região mais rica do país onde governa há 25 anos.

"É delirante, os custos são enormes e não consigo ver o benefício", expressou Antón Losada, professor de Ciências Políticas da Universidade de Santiago de Compostela.

É uma aposta "arriscada", destacou Paloma Román, também professora de Ciências Políticas na Universidade Complutense de Madri, a mesma onde Iglesias dava aula.

Além disso, na região da capital Iglesias enfrentará Isabel Díaz Ayuso, uma figura em ascensão do Partido Popular (PP, direita), a quem todas as pesquisas realizadas até agoa apontam como clara vencedora.

Dimensão nacional 

A própria Días Ayuso abalou a política espanhola na semana passada, ao convocar eleições antecipadas em Madri, uma decisão que reconfigura a direita do país.

Ela afirmou que tomou essa decisão para evitar uma possível moção de censura de seu sócio minoritário de governo, os liberais do Cidadãos, que horas antes romperam sua coalizão com o PP em outra região do país, Murcia, e promoveram uma moção lá junto com os socialistas.

Com Pablo Iglesias, as eleições em Madri ganham uma dimensão nacional. Com "um candidato dessa altura (...) em Madri, haverá uma batalha", já que "a Comunidade de Madri é muito importante, não é mais uma comunidade autônoma, e a esquerda está há mais de duas décadas e meia sem estar" no poder lá, destaca Paloma Román.

Imediatamente após o anúncio de Iglesias, Días Ayuso disse no Twitter que no dia 4 de maio a luta será entre "o comunismo e a liberdade".

Apesar de afirmar que deseja obter uma maioria absoluta que lhe permita governar sozinha, Días Ayuso pode precisar do apoio da extrema direita do Vox, que atualmente apoia seu governo externamente.

Se chegar a entrar no Executivo de Madri, seria a primeira vez que a extrema direita, que em 2019 se tornou a terceira força política do país, entraria em um governo regional na Espanha.

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