Mianmar

Manifestações são reprimidas com violência em Mianmar, alvo de sanções ocidentais

Forças de segurança abriram fogo contra manifestantes no estado de Kachin

Forças de segurança abriram fogo contra manifestantes nesta quinta-feira (25/3) em Mianmar, cuja junta no poder foi alvo de sanções dos Estados Unidos e do Reino Unido.

O relator especial da ONU para aquele país, Tom Andrews, pediu uma reunião de cúpula internacional imediata, por considerar lenta e fraca a resposta internacional ao golpe de Estado que derrubou em fevereiro o governo civil, liderado por Aung Suu Kyi.

Forças de segurança abriram fogo contra manifestantes no estado de Kachin, onde uma pessoa teria morrido, segundo um morador, e no estado de Karen, onde um estudante foi ferido, de acordo com uma testemunha. Em Mandalay, médicos e enfermeiros em greve se manifestaram ao amanhecer, para evitar a polícia. Já em Yangon, capital econômica do país, cidadãos protestaram logo cedo vestindo roupas tradicionais, alguns com cartazes que pediam "Fora, ditador terrorista!", segundo a imprensa local.

À noite, no estado de Shan, forças de segurança mataram a tiros quatro civis em bairros residenciais, de acordo com a Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP), segundo a qual 320 pessoas teriam morrido desde o golpe, vítimas da repressão.

Na Tailândia, a rainha da beleza birmanesa Han Lay condenou a repressão às manifestações e aproveitou uma entrevista ao veículo local Khaosod para fazer um chamado: "Quero pedir ao mundo que, por favor, apoie o povo birmanês. Tem tanta gente morrendo baleada pelos militares... Por favor, salvem-nos."

 

Sanções 

 

O Reino Unido e os Estados Unidos anunciaram hoje novas sanções contra os interesses financieros da junta militar que deu o golpe de Estado em Mianmar, neste caso contra dois conglomerados industriais de propriedade dos militares.

"As sanções de hoje têm como alvo interesses financeiros do Exército, com o objetivo de cortar as fontes de financiamento de suas campanhas de repressão contra os civis", disse o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, em um comunicado que anunciou sanções contra o grupo Myanmar Economic Holdings (MEHL).

Raab acusou o conglomerado, propriedade de antigos e atuais militares birmaneses, de estar envolvido em "graves violações dos direitos humanos" ao financiar a campanha de "limpeza étnica" das Forças Armadas contra a minoria rohingya em 2017.

Além do MEHL, Washington também anunciou sanções contra outro conglomerado de propriedade militar, o Myanmar Economic Corporation.

"Os militares controlam partes significativas da economia do país através dessas duas corporações", especialmente nos setores do comércio, dos recursos naturais, álcool, cigarros e dos bens de consumo, destacou um comunicado do Tesouro dos EUA.

O relator especial da ONU para Mianmar, Tom Andrews, considerou que a comunidade internacional não foi muito longe, e apontou que as sanções específicas "não bloquearam o acesso da junta às receitas que contribuem para sustentar suas atividades ilegais". Indonésia e Cingapura, países influentes daquela região, pediram à junta que deixe de usar armas letais.

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