POLÍTICA

Meio-irmão do rei da Jordânia é acusado de complô para desestabilizar o reino

Hamza, príncipe-herdeiro até 2004, e outras pessoas estiveram em contato com uma força estrangeira para "desestabilizar a segurança" da Jordânia, disse o vice-primeiro-ministro Ayman Safadi

Agência France-Presse
postado em 04/04/2021 19:06
 (crédito: KHALIL MAZRAAWI/AFP)
(crédito: KHALIL MAZRAAWI/AFP)

As autoridades jordanianas afirmaram neste domingo (4/4) ter desmontado um complô para "desestabilizar" o reino, no qual estava envolvido o príncipe Hamza bin Hussein, meio-irmão do rei Abdullah II, e que detiveram vários suspeitos.

Hamza, príncipe-herdeiro até 2004, e outras pessoas estiveram em contato com uma força estrangeira para "desestabilizar a segurança" da Jordânia, disse o vice-primeiro-ministro Ayman Safadi.

Meio-irmão do rei Abdullah II da Jordânia, o príncipe Hamza, de 41 anos, anunciou no sábado ter sido posto em "prisão domiciliar" em seu palácio em Amã, após ser acusado pelo exército de atividades contra "a segurança do reino".

Em vídeo enviado à BBC por seu advogado, o príncipe jordaniano disse que o chefe de Estado Maior do Exército havia visitado sua casa e lhe dito que "não podia sair".

Ele negou ter participado de um complô e acusou as autoridades do seu país de "corrupção" e "incompetência".

Neste domingo, o vice-primeiro-ministro Ayman Safadi afirmou que os serviços de segurança "haviam acompanhado durante um longo período as atividades e os movimentos do príncipe Hamza bin Hussein, de Sherif Hassan ben Zaid e de Bassem Awadallah (ex-assessor do rei) e outras pessoas contra a segurança e a estabilidade da pátria".

"As investigações permitiram vigiar as intervenções e os contatos com partes estrangeiras para desestabilizar a segurança da Jordânia", prosseguiu.

Hamza é o filho mais velho do rei Hussein e de sua esposa americana, a rainha Noor, cujo nome de solteira era Lisa Halaby. De acordo com os desejos do seu pai, falecido em 1999, foi nomeado príncipe-herdeiro quando Abdullah se tornou rei. Mas em 2004, Abdullah II retirou-lhe o título e o deu ao seu filho mais velho, Hussein.

Safadi disse que foram detidos entre 14 e 16 suspeitos.

Segundo ele, os serviços de segurança aconselharam o rei Abdullah II a apresentar todas as pessoas envolvidas perante a Corte de Segurança do Estado.

"Ressentimento"

Pelo Twitter, a rainha Noor denunciou neste domingo uma "calúnia" e afirmou "rezar para que a verdade e a justiça prevaleçam para todas as vítimas inocentes".

Em um comunicado, o chefe do Estado maior jordaniano, general Yussef Huneiti, disse que o príncipe Hamza tinha sido "chamado a deter as atividades que poderiam ser utilizadas para socavar a estabilidade e a segurança do reino", mas negou sua detenção.

"Ninguém está acima da lei. A segurança e a estabilidade da Jordânia são a prioridade. Todas as medidas tomadas estavam dentro do âmbito da lei e foram adotadas após uma investigação exaustiva", acrescentou.

Um analista jordaniano, que não quis se identificar por motivos de segurança, afirmou que recentemente o príncipe Hamza "tinha aumentando suas críticas ao que ele chama de corrupção no governo em seu círculo de amigos".

Segundo ele, "há certo ressentimento de sua parte porque nunca digeriu totalmente a perda do título de príncipe-herdeiro".

O Reino da Jordânia, que celebrará seu centenário em 11 de abril, é um pequeno país que carece de recursos naturais e depende em grande medida de ajuda externa.

Washington e os aliados do Golfo se apressaram a expresar seu apoio ao governo pró-ocidental de Amã, considerado um pilar estabilizador no Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse o desenrolar da situação era acompanhado "muito de perto".

"O rei Abdullah é um aliado-chave dos Estados Unidos e tem todo o nosso apoio", acrescentou.

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita também manifestaram apoio ao rei jordaniano e todas as medidas adotadas para assegurar a estabilidade do país.

O presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, também telefonou para o rei e garantiu "sua total solidariedade" e "total apoio", segundo um comunicado da presidência egípcia.

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