ORIENTE MÉDIO

Hamzah promete lealdade a Abdullah II

Correio Braziliense
postado em 05/04/2021 21:51

O Palácio Real da Jordânia anunciou, ontem à noite, que o rei Abdullah II tomou a iniciativa de uma solução caseira para a crise com o príncipe Hamzah, seu meio-irmão, acusado de conspiração contra o governo. O monarca apostou num acordo familiar, destacando um tio, o príncipe Hasan, para a abordagem à qual Hamzah aparentemente aderiu. Horas depois, o meio-irmão do monarca publicou uma mensagem sinalizando que a paz voltou ao reino.
“Permanecerei leal à herança de meus ancestrais, a Sua Majestade o Rei, bem como a seu príncipe herdeiro, e estarei disponível para ajudá-los e apoiá-los”, escreveu o príncipe Hamzah em uma carta divulgada pelo Palácio Real.
Horas antes dessa publicação, Hamzah havia externado sua recusa em obedecer as ordens para restringir seus movimento. Filho mais velho do falecido rei Hussein e da rainha Noor, o ex-príncipe herdeiro denunciou corrupção no poder, selando, assim, a cisão na família real jordaniana.
A crise no reino, conhecido como um pilar estabilizador no Oriente Médio, estourou no sábado, com a acusação contra o príncipe Hamzah de “atividades” contra a realeza. A situação levou à prisão de várias personalidades jordanianas, segundo as autoridades, por “razões de segurança”.
No mesmo dia, Hamzah anunciou que havia sido colocado em prisão domiciliar em seu palácio em Amã. Ele negou ter participado de um complô e acusou as autoridades de seu país de incompetência. No dia seguinte, o vice-primeiro-ministro Ayman Safadi afirmou que a “sedição” havia sido frustrada.
Safadi afirmou que o príncipe Hamza havia colaborado com uma potência estrangeira não identificada, e anunciou a prisão de 15 pessoas, incluindo Basem Awadallah, ex-conselheiro do rei Abdullah II. O vice-premiê informou ainda que, a pedido do rei, o chefe do Estado-Maior, general Youssef Huneiti, visitou Hamzah para lhe pedir que “interrompesse as atividades que poderiam ser usadas para minar a estabilidade e a segurança da Jordânia”. A reunião, porém, não teria transcorrido de forma positiva.
“Gravei toda a conversa e distribuí (...) Agora, estou esperando para ver o que vai acontecer e o que vão fazer. Não quero me mover (por enquanto), porque não quero que a situação piore”, declarou o príncipe em sua última gravação, em que classificou a situação como “inaceitável”.
De acordo com moradores, o serviço de internet está cortado no bairro exclusivo da zona oeste de Amã, onde vivem Hamzah e outros príncipes e princesas. De acordo com os desejos do pai, falecido em 1999, Hamza foi nomeado príncipe herdeiro quando Abdullah II se tornou rei. Mas, em 2004, o monarca retirou o título para atribuir a seu filho mais velho, Hussein.
O rei Abdullah II recebeu várias mensagens de apoio do exterior, incluindo Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Rússia. “Apoiamos os esforços das autoridades legítimas da Jordânia e pessoalmente do rei Abdullah II para garantir a estabilidade interna do país”, informoun o ministério russo das Relações Exteriores.

» Julgamento retomado

Na retomada do julgamento do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por corrupção, a promotoria sustentou que ele fez um “uso ilegítimo” de seu poder. A audiência recomeça ao mesmo tempo em que são iniciadas as consultas pós-eleitorais cruciais para o futuro político do premiê, de 71 anos, 15 deles como chefe de Governo. Além de corrupção, Netanyahu é acusado de fraude e abuso de confiança em três casos. Ele nega todas as acusações. O primeiro-ministro compareceu ao tribunal do distrito de Jerusalém para as declarações iniciais da promotora e saiu antes do anúncio da primeira testemunha, Ilan Yehoshua, ex-diretor-geral do site de notícias Walla. O julgamento de Netanyahu não ameaça suas aspirações a curto prazo. Ele seria obrigado a renunciar apenas em caso de uma condenação confirmada e depois de esgotar todos os recursos, o que poderia levar anos.

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