CRÍTICAS

Covid-19 na Venezuela: Maduro chama cepa brasileira de 'Bolsonaro'

Ao fazer um balanço da pandemia da covid-19 em seu país, Maduro disparou: "É um desastre, a mutante brasileira deveria chamar-se 'a mutante Bolsonaro'"

Em tom ríspido, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não poupou insultos ao colega brasileiro, Jair Bolsonaro, durante pronunciamento à nação na tarde de ontem. Ao fazer um balanço da pandemia da covid-19 em seu país, Maduro disparou: “É um desastre, a mutante brasileira deveria chamar-se 'a mutante Bolsonaro'”. “A mutante Bolsonaro... Porque ele é o culpado por abandonar o seu povo e por ser louco, insensível, um psicopata. Um psicopata! Insensível! Não lhe dói o povo do Brasil. Não lhe dói nada. A ele só interessa sua loucura. Vejam a situação que ele meteu o Brasil e a humanidade. O Brasil é o epicentro mundial das variantes mais perigosas e da expansão do coronavírus. Essa é a verdade”, declarou o líder venezuelano.

Maduro reconheceu que as cepas brasileiras do Sars-CoV-2 têm uma “carga de virulência maior e mais forte”. “Nosso povo deve cuidar-se mais e melhor. As famílias devem se cuidar mais”, aconselhou, ao admitir que as variantes do Brasil estão em circulação na Venezuela. O país registrou, ontem, o maior número de casos da covid-19 em 24 horas desde o início da pandemia: 1.779 infecções. Segundo o governo venezuelano, foram contabilizados também 15 mortos. Em março, a Venezuela contabilizou 21.380 casos. De acordo com o Centro de Pesquisas Coronavírus da Universidade Johns Hopkins, são 164.337 infecções e 1.647 óbitos. Maduro disse, também, que a segunda onda da pandemia está mais virulenta e perigosa por causa das variantes brasileiras.

“A variante brasileira avança mais rapidamente. Há gente que se automedica, e, se por qualquer razão, tem medo ou excesso de confiança, e não quer ir ao hospital, é um erro. Paga-se caro por isso. Conheço casos de gente que ficou em casa e começou a se automedicar. Em 48 horas, não podem respirar, se sentem mal e quase chegam a morrer”, advertiu o presidente venezuelano. Ele defendeu o aumento no número de leitos hospitalares e pediu que a população não tome medicamentos por conta própria.

Durante a crise da falta de oxigênio em hospitais de Manaus e do Amazonas, em janeiro, o Palácio de Miraflores ofereceu ajuda ao Planalto para enviar suprimentos. Mesmo após a Venezuela efetivar a doação, Bolsonaro atacou Maduro durante uma live. “Vou fazer uma sugestão para o pessoal que adora o Maduro, que tal vocês fazerem uma proposta para o Maduro, que tal o Maduro conceder um auxílio emergencial para o seu povo. Tarcísio (perguntou ao ministro da Infraestrutura), na Venezuela tem cachorro? Não tem. É triste falar isso, mas o pessoal comeu tudo”, ironizou.