União Europeia avalia retomada de turismo

Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, recomenda aos 27 países-membros o alívio das restrições a viagens não essenciais, mas condiciona medida à imunização e à situação epidemiológica da covid-19. Brasil estaria excluído da lista por gravidade da pandemia

Correio Braziliense
postado em 03/05/2021 19:15 / atualizado em 03/05/2021 19:57
 (crédito: Miguel Medina/AFP - 27/7/13)
(crédito: Miguel Medina/AFP - 27/7/13)

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), recomendou, ontem, que os 27 Estados-membros aliviem as restrições às viagens não essenciais, desde que levem em conta o progresso das campanhas de imunização e a situação da covid-19 em diferentes países. Por meio de um comunicado, o órgão propôs “permitir a entrada na UE por motivos não essenciais não apenas de pessoas procedentes de nações com boa situação epidemiológica, mas também para as pessoas que receberam a última dose recomendada de uma vacina autorizada pela UE”. A proposta excluiria os turistas brasileiros da liberação de viagens. Até o fechamento desta edição, o Brasil registrava 14.779.529 infecções e 408.622 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Segundo a nota da Comissão Europeia, o surgimento de cepas do Sars-CoV-2 exigem “vigilância contínua”. “Como uma medida de contrapeso, a Comissão propõe um novo mecanismo de ‘freio de emergência’, para ser coordenado no âmbito da União Europeia e que limitaria o risco de entrada das variantes no bloco.” A ideia é permitir que os países-membros tomem ações rápidas e limitem temporariamente ao mínimo estrito todas as viagens a partir de nações afetadas pela pandemia durante o tempo necessário para a adoção de medidas sanitárias adequadas.

A orientação de suspender as restrições a viagens não essenciais para pessoas vacinadas leva em conta conclusões dos cientistas de que a imunização consideravelmente ajuda a quebrar a cadeia de transmissão. A recomendação é para que os Estados-membros aceitem a entrada de pessoas que tenham recebido a vacina pelo menos 14 dias antes do desembarque — a última dose recomendada entre aqueles imunizantes autorizados pela UE. A Comissão Europeia observou que, se os países decidirem pela dispensa de um teste de diagnóstico PCR negativo ou da realização de quarentena para viajantes de outras nações do bloco, a medida também deverá vigorar a turistas provenientes de outros continentes.

Flexibilização

Ontem, França e Grécia começaram a aliviar as medidas de restrição e de distanciamento social. Na França, depois de um mês de fechamento, as escolas do ensino médio retomaram as aulas presenciais. Também foram suspensas as restrições de circulação, que impediam os franceses de deslocamentos a mais de 10km de suas casas, exceto por motivos de força maior. Na Grécia, os cafés e restaurantes retomaram suas atividades nas áreas externas.

No Reino Unido, um show em Liverpool reuniu, no domingo, 5 mil pessoas sem máscara nem distanciamento. O evento foi autorizado pelo governo britânico para testar as medidas de segurança que deverão ser implementadas a partir de 21 de junho, quando a maioria das restrições será levantada.

Já na Alemanha, o famoso Festival da Cerveja, que ocorre de 18 de setembro a 3 de outubro em Munique (sul), foi cancelado pelo segundo ano consecutivo, pois, segundo autoridades locais, “as medidas (sanitárias) são praticamente impossíveis de aplicar” no local onde seria realizado. A Rússia, que enfrenta um recrudescimento da crise, decretou feriado até 10 de maio para conter as infecções pelo Sars-CoV-2.

Peru prorroga a suspensão de voos

O Peru prorrogou até 15 de maio a suspensão de voos de Brasil, Reino Unido e África do Sul, como forma de evitar a entrada de novas variantes do coronavírus, num momento em que o país enfrenta uma segunda onda mortal da pandemia. “As ações para limitar os riscos de contágio da covid-19 permanecem. Por isso, o Ministério dos Transportes prorrogou a suspensão dos voos de Reino Unido, África do Sul e Brasil, de 1º a 15 de maio”, informou a pasta em comunicado. De acordo com o ministério, “a disposição visa evitar a propagação da covid-19 na atual emergência sanitária”.

Revés nas urnas em meio ao caos

 (crédito: Manjunath Kiran/AFP - 1/5/21)
crédito: Manjunath Kiran/AFP - 1/5/21

Se a Europa parece respirar, a covid-19 continua provocando estragos na Índia, que registra 19,9 milhões de casos e quase 219.000 mortes desde o início da pandemia. Um balanço per capita elevado para este país de mais de 1,3 bilhão de habitantes, mas inferior ao do Brasil, ou dos Estados Unidos. No domingo, o partido nacionalista hindu, do primeiro-ministro, Narendra Modi, o Bharatiya Janata Party (BJP), foi derrotado nas urnas de Bengala ocidental — um estado-chave de 90 milhões de habitantes —, em eleições regionais muito disputadas e marcadas pela violência.

Os resultados colocam o adversário Trinamool Congress (TMC), de Mamata Banerjee, na via de um terceiro mandato. Milhares de partidários do TMC foram às ruas, apesar da proibição devido à explosão de contágios do coronavírus. “Esta vitória salvou a humanidade, o povo indiano. É a vitória da Índia”, disse Banerjee, crítica de Modi, acusado por muitos de negacionismo e ingerência da pandemia.

Modi e seu colaborador próximo Amit Shah realizaram uma intensa campanha para tentar arrebatar o poder de Banerjee, que chefia o estado desde 2011, organizando dezenas de comícios — às vezes com centenas de milhares de pessoas. Os eventos políticos foram parcialmente acusados de contribuir para novos casos da covid-19.

Nas últimas 24 horas, a Índia registrou mais 370 mil contágios e 3.400 mortes, enquanto a ajuda internacional prometida por mais de 40 países continua chegando. A imprensa informou que 24 pessoas morreram, no domingo à noite, por suposta falta de oxigênio em um hospital do estado de Karnataka, perto de Bangalore (sul). Na véspera, 12 pessoas tinham falecido em um hospital que ficou sem reservas de oxigênio, na capital, Nova Délhi.

A Suprema Corte indiana pressionou Narendra Modi, ao ordenar, no domingo, que o governo abasteça Délhi com reservas de oxigênio até zero hora de ontem (15h30 em Brasília).

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