Apoio

Canadá ajudará comunidades indígenas na busca de sepulturas de crianças

"Como pai, não consigo imaginar como seria a sensação de ter meus filhos tirados de mim", disse o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, em entrevista coletiva

Agência France-Presse
postado em 31/05/2021 19:04 / atualizado em 31/05/2021 19:26
 (crédito: Daniel Joseph Petty/Pexels )
(crédito: Daniel Joseph Petty/Pexels )

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, prometeu nesta segunda-feira (31) mais apoio às comunidades indígenas, incluindo a expansão das escavações em antigos colégios internos em todo o país, depois que os restos mortais de 215 crianças indígenas foram descobertos no local de um antigo internato.

"Como pai, não consigo imaginar como seria a sensação de ter meus filhos tirados de mim", disse Trudeau em entrevista coletiva.

“E como primeiro-ministro, estou chocado com a política vergonhosa que tirou as crianças indígenas de suas comunidades”.

“Pense em suas comunidades que nunca mais os viram. Pense em suas esperanças, seus sonhos, seu potencial, tudo o que eles teriam alcançado, tudo o que eles teriam se tornado”, disse ele."Tudo o que foi tirado deles".

Trudeau disse que falaria com seus ministros à tarde para embasar os próximos passos para apoiar os sobreviventes (de colégios internos) e a comunidade.

"Cavar cemitérios em escolas", disse ele, "é uma parte importante para descobrir a verdade".

“O Canadá estará lá para apoiar as comunidades indígenas enquanto descobrimos a extensão deste trauma e buscamos oferecer oportunidades para as famílias e comunidades se curarem”, prometeu.

A tribo local Tk'emlups te Secwepemc relatou na semana passada que encontrou os restos mortais de 215 alunos de uma escola perto de Kamloops, na Colúmbia Britânica.

A Kamloops Indian Residential School foi a maior de 139 internatos estabelecidos no final do século 19 para integrar os povos indígenas do Canadá, com até 500 alunos matriculados e frequentando simultaneamente.

O antigo internato, administrado pela Igreja Católica em nome do governo canadense, funcionou de 1890 a 1969, quando Ottawa continuou sua administração e o fechou definitivamente uma década depois.

Os registros oficiais mencionam apenas 50 mortes na escola. Com o país de luto, as bandeiras dos prédios do governo foram colocadas à meio mastro no fim de semana.

Nesta segunda-feira, os partidos da oposição solicitaram, e Trudeau concordou, um debate de emergência no parlamento sobre a descoberta "dolorosa".

Cerca de 150.000 crianças ameríndias, mestiças e inuítes foram matriculadas à força nessas escolas, onde foram separadas de suas famílias, de seu idioma e de sua cultura.

Elas foram abusados física e sexualmente por autoridades e professores.

Uma comissão de verdade e reconciliação identificou os nomes, ou informações, de pelo menos 4.100 crianças que morreram de abuso ou negligência enquanto frequentavam colégios internos.

Estima-se que o número real seja muito maior.

A comissão concluiu em um relatório de 2015 que mais de um século de abusos nas escolas equivaleram a "genocídio cultural".

Sete anos antes, Ottawa havia se desculpado formalmente como parte de um acordo de US$ 1,5 bilhão com ex-alunos.

Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação