POLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições legislativas enfraquecem o presidente do México

Em pronunciamento à nação, López Obrador agradeceu ao povo mexicano e declarou que a votação "reafirmou o caminho rumo à democracia"

Rodrigo Craveiro
postado em 08/06/2021 06:00
Andrés Manuel López Obrador comemorou as
Andrés Manuel López Obrador comemorou as "eleições livres e limpas" - (crédito: Alfredo Estrella/AFP)

Uma vitória com sabor agridoce. Assim foram as eleições legislativas do último domingo para o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador. As urnas expandiram a presença territorial do partido governista Movimento de Regeneração Nacional (Morena) no comando de 11 dos 15 departamentos (estados) e de centenas municípios. No entanto, a coalizão do oficialismo não conseguiu a maioria qualificada de dois terços dos 500 assentos na Câmara dos Deputados, reduzindo sua presença no Legislativo de 332 para 281 cadeiras. O bloco opositor gamhou 51 assentos, passando de 168 para 219.

Antes da eleição, o Morena tinha 256 assentos. Em pronunciamento à nação, López Obrador agradeceu ao povo mexicano e declarou que a votação de anteontem “reafirmou o caminho rumo à democracia”. “Os partidos que se simpatizam com o projeto de transformação em marcha terão maioria na Câmara dos Deputados”, comemorou. A hegemonia simples, no entanto, impede a aprovação de reformas constitucionais e possibilita a avalização do orçamento.

“É fundamental que se possa dirimir as diferenças por meio da via eleitoral e pacífica. Foram eleições históricas (…), livres e limpas”, afirmou López Obrador. “O mais importante é que a população se manifestou e decidiu quem deverá representá-la nas eleições municipais, estaduais e na Câmara dos Deputados. O resultado expressa um grau de maturidade política poucas vezes vista”, acrescentou.

López Obrador destacou a garantia de aprovação do orçamento e a liberação de recursos suficientes para os mais necessitados, além das aposentadorias e dos benefícios a 11 milhões de crianças pobres.
Coordenador do Seminário de Segurança Nacional da Universidad Nacional Autónoma de México (Unam), Javier Oliva Posada explicou ao Correio que López Obrador não contará com ampla maioria nem poderá ter o controle do Parlamento. “Ele dependerá da qualidade da coesão do bloco opositor formado pelo partido Revolucionário Institucional (PRI), pelo Partido de Ação nacional (PAN), pelo Partido da Revolução Democrática (PRD) e pelo Movimento Cidadão. A governabilidade será mais complicada”, admitiu.

Para Vicente Sánchez Munguia, professor do Colegio de la Frontera Norte (em Tijuana), a coalizão opositora PAN-PRI-PRD conclamou a população a frear a maioria legislativa do Morena e do presidente. “A classe média fez coro e apoiou esse objetivo. Esse bloco não tem uma proposta alternativa de projeto para o México”, admitiu à reportagem. “A maioria simples poderá ser um tanto frágil ou cara para López Obrador, pois o Partido Ecologista Verde se tornou a chave da estabilidade. Ontem (domingo), Félix González Gatica presidente dessa legenda, afirmou que a aliança com o Morena deveria ser revista. Isto é, eles subirão o preço do apoio às políticas do presidente.”

Munguia afirmou que o presidente dependerá de negociações com a oposição para levar adiante as reformas constitucionais pretendidas pelo governo. “Até agora, as alterações apresentadas pelo presidente têm sido controversas e dependerão do crivo da Corte Suprema.”

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“A governabilidade de López Obrador exigirá mais negociações, ainda que para reformas secundárias. Para modificar a Constituição, o presidente precisará articular a maioria qualificada de dois terços dos votos, ou 335 deputados. Tal cifra não foi alcançada, de acordo com os resultados do último domingo. Em relação às eleições na Cidade do México, o goverbo obteve o pior resultado desde 1997. Ele perdeu quase metade das prefeituras da capital.” Javier Oliva Posada, coordenador do Seminário de Segurança Nacional da Universidade Nacional do México (Unam).

“Existirá uma grande dependência dos acordos alcançados por López Obrador e pelo Morena com o Partido Ecologista Verde. Não é certo que a coalizão opositora PAN-PRI-PRD manterá a unidade. Isso pode funcionar por um tempo, mas se perderá assim que surgirem questões sobre as quais os integrantes não compartilharem visões e interesses.” Vicente Sánchez Munguia, professor do Colegio de la Frontera Norte (em Tijuana).

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