Retorno do Talibã

Em reunião de emergência, ONU pede que mundo se una contra 'ameaça terrorista'

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu que a comunidade internacional não abandone o povo do Afeganistão

Correio Braziliense
postado em 16/08/2021 13:37 / atualizado em 16/08/2021 13:38
 (crédito: JAVIER SORIANO  AFP)
(crédito: JAVIER SORIANO AFP)

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu nesta segunda-feira (16/8), que todos os países trabalhem em conjunto para "suprimir a ameaça terrorista mundial no Afeganistão". "A comunidade internacional deve se unir para garantir que o Afeganistão nunca mais seja usado como plataforma ou refúgio de organizações terroristas", disse Guterres durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a crise afegã.

"Estamos recebendo relatos assustadores de severas restrições aos direitos humanos em todo o país. Estou particularmente preocupado com os relatos de crescentes violações dos direitos humanos contra mulheres e meninas no Afeganistão", comentou. "Não podemos e não devemos abandonar o povo afegão", finalizou.

A reunião foi convocada às pressas na sede em Nova York depois que os militantes talibãs entraram na capital Cabul no domingo, o que levou o presidente afegão Ashraf Ghani a fugir para o exterior.

Confusão no aeroporto

A volta do Talibã ao poder causou desespero em Cabul. Centenas de afegãos foram para o aeroporto em busca de voos de fuga, um dia após o Talibã retomar o poder no país. Ao menos cinco pessoas morreram durante um tumulto no aeroporto da capital do Afeganistão, nesta segunda-feira (16/8). Eles tentavam embarcar em aviões enquanto soldados americanos faziam a segurança do local para acelerar a retirada de seu pessoal diplomático.

Ainda não está claro quem são as vítimas, mas um funcionário do governo americano disse à agência de notícias Reuters que soldados americanos atiraram para o alto para tentar conter pessoas que tentavam embarcar à força em voos militares exclusivos para americanos.

Caos e medo no Afeganistão

Em abril deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o retorno de todas as tropas americanas que estavam no Afeganistão havia 20 anos. Em 6 de julho de 2021, os militares informaram que sua retirada estava “mais de 90% concluída”.

Em uma ofensiva que começou há duas semanas, o Talibã avançou sobre Cabul e anunciou ter tomado o palácio presidencial depois da fuga do presidente pró-Ocidente, Ashraf Ghani. O grupo também assumiu o controle de duas prisões perto da capital, libertando milhares de prisioneiros.

Em Cabul, a população enfrenta o medo. Lojas fecharam, policiais foram vistos trocando uniformes por roupas civis. Os bancos estavam lotados de pessoas querendo sacar dinheiro e as ruas ficaram lotadas de veículos tentando sair da cidade. “Apreciamos o retorno do Talibã ao Afeganistão, mas esperamos que sua chegada traga paz, e não um banho de sangue. Ainda me lembro, de quando era criança, das atrocidades cometidas pelos talibãs”, disse Tariq Nezami, um comerciante de 30 anos.

Quando governaram o país, entre 1996 e 2001, os talibãs impuseram sua versão ultrarrigorosa da lei islâmica. As mulheres eram proibidas de sair sem um acompanhante masculino e de trabalhar, e as meninas de ir à escola. As mulheres acusadas de adultério eram açoitadas e apedrejadas.

 

Ganhadora do prêmio Nobel da Paz, a paquistanesa Malala Yousafzai disse que está "profundamente preocupada com as mulheres afegãs, as minorias e os defensores dos Direitos Humanos", após a tomada de Cabul pelo Talibã. Pelo Twitter, a ativista pediu ajuda humanitária para o país. "As potências globais, regionais e locais devem exigir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis", afirmou.

 

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