Conflitos

Operação de retirada prossegue no aeroporto de Cabul

Também foram enviadas forças especiais francesas para assegurar a saída de cidadãos do país e alguns afegãos

Agence France-Presse
postado em 18/08/2021 12:20 / atualizado em 18/08/2021 12:21
 (crédito: MASSOUD HOSSAINI)
(crédito: MASSOUD HOSSAINI)

A retirada de diplomatas, outros estrangeiros e afegãos que trabalharam para as potências internacionais prosseguia nesta quarta-feira (18/8) em condições difíceis em Cabul, após a tomada de poder no Afeganistão pelos talibãs.

Uma gigantesca ponte aérea começou no domingo (15/8) com aviões procedentes de todo mundo. Milhares de pessoas seguiram para o aeroporto para tentar fugir do país, enquanto os arredores são controlados pelos insurgentes.

Reforços

 
As retiradas a partir do aeroporto de Cabul, único ponto de entrada e saída do país, foram retomadas gradualmente após as cenas de caos na segunda-feira.

Países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram enviar "aviões adicionais" para garantir a operação, informou o secretário-geral da Aliança do Atlântico Norte, Jens Stoltenberg.

Alguns países também enviaram reforços militares. De 3.000, na segunda-feira à noite, o número de soldados americanos no aeroporto de Cabul deve alcançar 6.000 nos próximos dias.

Também foram enviadas forças especiais francesas para assegurar a saída de cidadãos do país e alguns afegãos.

Repatriações 


Na terça-feira (17/8), a Espanha enviou um avião militar (A400) para Dubai, que, em seguida, deve repatriar os funcionários de sua embaixada em Cabul. Outro avião seguiu para os Emirados Árabes Unidos.

Uma terceira aeronave, de serviços médicos, também foi enviada para Dubai para ajudar nos trabalhos de repatriação, informou o primeiro-ministro Pedro Sánchez.

"Os primeiros holandeses deixaram Cabul", tuitou a ministra das Relações Exteriores do país, Sigrid Kaag, sem revelar o número.

A República Tcheca já repatriou mais de 140 pessoas em dois voos militares.

Macedônia do Norte, Albânia e Kosovo anunciaram que receberão refugiados afegãos.

Ponte aérea francesa retira os primeiros afegãos


A França continua com os voos entre Paris e Cabul, com escala nos Emirados. Na madrugada desta quarta-feira, 216 pessoas, incluindo 184 afegãos "da sociedade civil que solicitam proteção", deixaram a capital do Afeganistão, informou o Ministério das Relações Exteriores.

A prefeita de Lille informou que outra aeronave partiu para resgatar um número similar de pessoas.

Na terça-feira, 41 franceses e estrangeiros deixaram Cabul com destino ao território da França.

EUA já retirou mais de 3.200 pessoas


O Exército dos Estados Unidos já retirou, em aviões militares, mais de 3.200 pessoas do Afeganistão, sobretudo, funcionários americanos, informou a Casa Branca. Além disso, quase 2.000 refugiados afegãos viajaram para os Estados Unidos.

Washington prevê retirar mais de 30.000 pessoas pela ponte aérea entre Cabul e suas bases no Kuwait e Catar.

O governo dos Estados Unidos tem "a responsabilidade e os recursos" para retirar os afegãos que ajudaram as Forças Armadas americanas no território, afirmou o ex-presidente George W. Bush, que há 20 anos iniciou a invasão do Afeganistão.

Restos humanos encontrados


O Exército americano informou que encontrou "restos humanos" no trem de pouso de um avião militar que pousou para reabastecimento e foi cercado por afegãos aterrorizados no aeroporto de Cabul na segunda-feira. A Força Aérea dos EUA está investigando.

Diante de uma situação que era cada vez mais tensa ao redor do avião, a tripulação decidiu "decolar o mais rápido possível", explicou Ann Stefanek, porta-voz da Força Aérea dos EUA.

Berlim acusa talibãs de obstruir saídas 


Um avião militar alemão, que pousou na madrugada de terça-feira em Cabul, conseguiu retirar apenas sete pessoas, enquanto centenas esperam conseguir viajar para a Alemanha.

Berlim acusa os talibãs de obstruir os acessos ao aeroporto de Cabul para evitar a saída de afegãos, enquanto quase 10.000 colaboraram com o Exército alemão, ou com ONGs, mais os integrantes de suas famílias, que devem ser retirados do país.

Áustria e Romênia também informaram que seus cidadãos e afegãos que pretendem deixar o país encontram dificuldades para chegar ao aeroporto.

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