Terras Indígenas

Centenas de pessoas protestam em Londres em solidariedade aos indígenas brasileiros

Atrás de uma grande faixa com a frase "Protejam a Amazônia", dezenas de manifestantes bloquearam a rua diante da embaixada, perto da Trafalgar Square, sob os aplausos dos ativistas e as buzinas dos motoristas.

Agência France-Presse
postado em 26/08/2021 09:16 / atualizado em 26/08/2021 09:16
 (crédito: JUSTIN TALLIS / AFP)
(crédito: JUSTIN TALLIS / AFP)

Com gritos de "Fora Bolsonaro", centenas de pessoas, convocadas por várias ONGs, incluindo o grupo ecologista Amazon Rebellion, protestaram na quarta-feira (25) diante da embaixada do Brasil em Londres para expressar solidariedade com os atuais protestos de indígenas no país.

"Parem o genocídio no Brasil agora!", "Luta pela vida" e "Não à armadilha do marco temporal", afirmavam os cartazes, em referência a uma nova legislação que pretende adotar o critério temporário para a demarcação das terras indígenas, reconhecendo como terras ancestrais apenas aquelas que foram ocupadas por eles quando a Constituição de 1988 foi promulgada.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma esta semana a deliberação sobre este assunto, considerado "o processo mais importante do século" pelos indígenas brasileiros. Na segunda-feira (23), eles iniciaram uma semana de mobilizações em Brasília para pressionar congressistas e juízes.

"Estamos aqui em solidariedade com o movimento indígena em Brasília", declarou à AFP Sarah Shenker, de 35 anos, ativista do grupo Survival International, enquanto um grupo tocava samba.

"O 'marco temporal' é uma proposta genocida estimulada pelo governo e pelo agronegócio para expulsar os indígenas de suas terras", denunciou, antes de afirmar que "eles são os melhores guardiães da natureza, protegem 80% da biodiversidade do mundo e, sem sua terra, não sobreviverão".

"Também é uma questão climática: a Amazônia está sendo destruída para produzir os alimentos que comemos no Ocidente", afirmou Graham Gordon, de 47 anos, membro do grupo católico CAFOD.

Atrás de uma grande faixa com a frase "Protejam a Amazônia", dezenas de manifestantes bloquearam a rua diante da embaixada, perto da Trafalgar Square, sob os aplausos dos ativistas e as buzinas dos motoristas.

"O que nós queremos? Justiça climática! Quando queremos? Agora!", gritaram, um dos slogans mais conhecidos do grupo ecologista Extinction Rebellion (XR), que participou no protesto convocado por ONGs como Greenpeace, Survival, CAFOD, Brazil Matters e Parentes for Future.

Após cinco minutos, um grande dispositivo policial foi mobilizado diante da embaixada e dispersou o bloqueio, permitindo a continuidade do protesto na calçada.

Estacionadas a algumas ruas de distância, seis viaturas cheias de policiais aguardavam, à espera da evolução dos acontecimentos.

Movimento de desobediência civil criado em 2018 no Reino Unido e que chegou a muitos países, o XR iniciou na segunda-feira duas semanas de grandes protestos contra a inércia dos governos e das grandes empresas diante da mudança climática.

Nos últimos anos, o grupo bloqueou diversas vezes o trânsito em partes de Londres e impediu o acesso às sedes de grandes empresas. Centenas de detenções e muitos processos por suas ações de desobediência civil foram registrados desde então.

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