Hungria

Papa pede "abertura" e critica o "soberanismo"

Correio Braziliense
postado em 12/09/2021 23:48
 (crédito: .)
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Uma visita rápida, mas com mensagens fortes. Assim se deu a passagem do papa Francisco pela Hungria. O líder da Igreja Católica esteve no país, ontem, para presidir a missa de encerramento de um grande congresso religioso internacional. Aproveitou para se reunir com o líder soberanista Viktor Orbán, se posicionar contra o aumento do antissemitismo e pedir aos húngaros que promovam a fraternidade e a união. Sete horas depois, Francisco se dirigiu à vizinha Eslováquia, onde fará uma verdadeira visita de Estado, com três dias de duração.

Antes da celebração católica, o pontífice se reuniu, a portas fechadas, com Orbán. “Pedi ao papa Francisco que não deixe os cristãos húngaros perecerem”, escreveu, em sua conta no Facebook, o premiê ultraconservador. Em comunicado, o Vaticano descreveu o encontro como cordial, e que foram discutidos temas como “o papel da Igreja no país, o compromisso com a proteção do meio ambiente, a proteção e a promoção da família”.

Francisco, porém, foi mais direto em seu discurso no Congresso Eucarístico Internacional. Prestou homenagem a uma nação “apegada a suas raízes”, apelando para que ela seja “aberta” a todos, em uma alusão velada à política migratória de Orbán. “Meu desejo é que vocês sejam assim: ancorados e abertos, enraizados e respeitosos”, intimou. O tom foi parecido ao da primeira declaração durante a visita, quando o pontífice alertou líderes cristão e judeus sobre a “ameaça do antissemitismo que ainda paira na Europa e em outros lugares”. “É um pavio que deve ser extinto (…) melhor maneira de desativá-lo é trabalhar positivamente juntos, é promover a fraternidade”, afirmou.

Jorge Bergoglio, cujos antepassados italianos migraram para a Argentina, não para de lembrar à Europa seu passado, construído por ondas de recém-chegados. Embora nunca tenha feito alusão direta a nenhum político em particular, ele criticou abertamente o “soberanismo”, que, segundo ele, dedica “discursos semelhantes aos de Hitler em 1934” aos estrangeiros. A postura lhe valeu ser tratado como “imbecil” pela mídia ligada a Orbán. Aos críticos, o pontífice tem lembrado que ajudar os excluídos é eminentemente cristão.

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