Áustria

Renúncia após suspeita de compra de reportagens

Sebastian Kurz deixa o cargo de chanceler pressionado por denúncias de que teria usado verba pública para financiar cobertura midiática favorável quando era ministro das Relações Exteriores. Político diz que seguirá liderando o partido conservador

Correio Braziliense
postado em 09/10/2021 22:14
 (crédito: Georg Hochmuth/AFP)
(crédito: Georg Hochmuth/AFP)

Em meio à crescente pressão sobre seu envolvimento em um escândalo de uso de verba pública para garantir uma cobertura midiática favorável, o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, renunciou, ontem, ao cargo. Em comunicado transmitido pela televisão, o líder conservador disse que “seria irresponsável” não agir para garantir a “estabilidade” do governo. “Quero ceder o cargo para evitar o caos”, afirmou o premiê, que revelou ter proposto ao ministro das Relações Exteriores, Alexander Schallenberg, para ser seu sucessor.

Segundo o Ministério Público, entre 2016 e 2018, foram publicados artigos elogiosos e pesquisas favoráveis a Kurz em troca da compra de um espaço publicitário pelo Ministério da Fazenda, na época nas mãos dos conservadores. A imprensa austríaca afirma que se trata do jornal sensacionalista Österreich. Durante esse período, Kurz participava do governo como ministro das Relações Exteriores.

Desde que a abertura de uma investigação por corrupção do primeiro-ministro foi anunciada na quarta-feira, Kurz estava nas cordas. Primeiro, o líder conservador de 35 anos negou as acusações e denunciou que eram alegações “fabricadas”, mas, na quinta-feira, os Verdes austríacos, parceiro minoritário do partido conservador, o OVP, no governo, questionaram a capacidade de Kurz de continuar no cargo.

Vice-chanceler e líder dos ambientalistas, Werner Kogler afirmou que a renúncia foi “um passo correto e importante” e explicou que se encontrará, hoje, com Schallenberg para discutir o futuro da coalizão. Líder dos Social-Democratas (SPOe), Pamela Rendi-Wagner criticou que, apesar da renúncia, Kurz continuaria servindo como “chanceler fantasma”. Ao renunciar ontem ao cargo, ele disse que continuará como líder do partido.

Defesa
Escolhido para a função, pela primeira vez, em dezembro de 2017, o político perdeu seu primeiro parceiro de coalizão, o partido de extrema direita FPÖ, devido a um escândalo de corrupção, em maio de 2019, conhecido como Ibizagate. Nesse caso, o líder da extrema direita ofereceu mercados públicos em troca de apoio eleitoral a uma mulher que se passava por oligarca russa, de acordo com um vídeo gravado com uma câmera escondida. Ele trocou de aliados e voltou ao poder em janeiro de 2020 com a ajuda dos Verdes.

As novas denúncias são baseadas em uma série de mensagens telefônicas. “Serei capaz de esclarecer tudo, tenho certeza”, declarou Kurz, que afirmou que as mensagens foram escritas “sob o impulso do momento”. “Sou apenas humano, com minhas emoções e meus erros”, defendeu-se. Milhares de pessoas se reuniram, na quinta-feira, perto da sede do partido conservador no centro de Viena para exigir a renúncia do primeiro-ministro, segurando cartazes com frases como “Contra a corrupção” e “Você deveria ter vergonha”.

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