EUA X Talibã

Alerta em primeiro dia de reunião

Correio Braziliense
postado em 09/10/2021 22:16

Representantes dos Estados Unidos e do talibã devem finalizar hoje, em Doha, o primeiro diálogo presencial desde que o grupo fundamentalista retornou ao poder no Afeganistão, em agosto. O encontro de dois dias começou com uma clara dificuldade de consenso. Na véspera, um porta-voz do Departamento de Estado americano disse que Washington pressionaria para o fato de que um “governo com apoio amplo” precisa respeitar o direito de todos os afegãos, incluindo mulheres e meninas. Também enfatizou que a reunião não significava que os EUA reconheciam o regime talibã no país islâmico. Ontem, o ministro das Relações Exteriores do Talibã, Amir Khan Muttaqi, alertou que “tentar desestabilizar o governo do Afeganistão não é bom para ninguém”.

“Um bom relacionamento com o Afeganistão é bom para todos. Nada deve ser feito para enfraquecer o governo atual do Afeganistão, que pode liderar a busca por soluções aos problemas de seu povo”, disse Muttaqi à agência estatal afegã Bakhar. Chefiada pelo representante especial para a Reconciliação do Afeganistão, Tom West, e por Sarah Charles, principal funcionária humanitária da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a delegação americana não comentou as declarações. Há a expectativa de um posicionamento oficial após a conversação de hoje e de que haja um encontro com representantes europeus.

Os fundamentalistas islâmicos buscam reconhecimento internacional e ajuda estrangeira para prevenir um desastre humanitário e aliviar a crise econômica que assola o país. Especialista em sudeste asiático do gabinete Woodrow Wilson International Center for Scholars, nos EUA, Michael Kugelman avalia que será difícil para o grupo fundamentalista se consolidar no poder se não tratar do terrorismo e da crescente crise financeira. “Se o Talibã, como é provável, não for capaz de lidar com essas preocupações, terá dificuldade em obter legitimidade interna e poderemos testemunhar o surgimento de uma nova resistência armada”, disse.

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