ENTREVISTA

"Mentiras podem matar", diz jornalista ganhadora do Nobel em entrevista ao Correio

A jornalista Maria Ressa critica redes sociais por espalharem fake news, ataca líderes populistas e faz defesa apaixonada da profissão

Rodrigo Craveiro
postado em 12/10/2021 06:00
Maria Ressa, jornalista filipina, Prêmio Nobel da Paz 2021, em entrevista ao Correio -  (crédito: Zoom/Reprodução)
Maria Ressa, jornalista filipina, Prêmio Nobel da Paz 2021, em entrevista ao Correio - (crédito: Zoom/Reprodução)

A jornalista filipina Maria Ressa, 58 anos, é a própria tradução da coragem. Não à toa o Comitê Nobel Norueguês a escolheu, na última sexta-feira, para dividir o Nobel da Paz com o também jornalista russo Dmitry Muratov, 59. Apenas 137 pessoas receberam o prêmio mais prestigiado do planeta. Ressa tornou-se a primeira filipina e a 18ª mulher em 102 edições do Nobel. Na madrugada de segunda-feira, ela conversou com o Correio Braziliense por videoconferência. Cofundadora da empresa de jornalismo investigativo digital Rappler, Ressa expôs o autoritarismo crescente do presidente Rodrigo Duterte e a brutal campanha de combate às drogas — 30 mil pessoas foram assassinadas entre julho de 2016 e março de 2019, segundo o Tribunal Penal Internacional. Durante 27 minutos, Ressa mostrou-se articulada e apaixonada pela profissão. “Jornalismo é ativismo. Tenho repetido isso várias vezes”, afirmou. A jornalista-ativista quase viu a empresa ser forçada à falência, depois que o governo intimidou os anunciantes, e chegou a receber 10 mandados de prisão, além de mensagens ameaçadoras. Nem por isso se intimidou. Extremamente articulada e simpática, Ressa advertiu que “nada pode bater as mentiras que vão em uma lama tóxica que escorre pelas mídias sociais” e atacou as plataformas por terem se transformado em celeiros de fake news. “Mentiras podem matar!”, alertou, ao denunciar governantes autoritários e populistas, inclusive o presidente Jair Bolsonaro. “Líderes assim recebem poder por um curto período de tempo e, no fim, podem matar o seu povo. (…) Um assassinato por meio do vírus”, disse. Em 10 de dezembro, Ressa e Muratov, editor-chefe do jornal Novaya Gazeta, dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas (cerca de R$ 6,27 milhões).

Na sua opinião, qual é o propósito, o objetivo real do jornalismo?

Eu acho que o holofote que o Comitê Nobel deu aos jornalistas tem a ver com mostrar o quanto é mais difícil e mais perigoso cumprir com o papel do jornalismo. Vocês devem saber sobre isso também em seu país. A missão e o propósito do jornalismo mudam quando ele é governado por certos padrões e pela ética. Então, qual é a missão do jornalismo? Na maior parte dos países democráticos em que o jornalismo opera como o quarto poder, os jornalistas atuam para o povo de uma democracia. Nós devemos ter a coragem de fazer perguntas difíceis, de exigir responsabilização de autoridades dos setores público e privado. E cobrar transparência, para que tenhamos a esperança de que possamos ter responsabilização. Nós fazemos isso em nome do povo ao qual servimos. Porque os fatos, e isso foi o que o Comitê Nobel frisou... Os fatos estão no centro de qualquer democracia funcional.

A senhora esperava ganhar o Nobel? Ficou muito surpresa com este reconhecimento e este prêmio?

Eu fiquei atordoada! E é engraçado, porque o Comitê Nobel gravou a conversa telefônica. Eu me senti meio tola, no sentido de que fique dizendo que estava sem voz, mas eu falava que estava sem voz (risos). Eu apenas sabia o que dizer. Ao mesmo tempo, quando desliguei o telefone, eu me senti como... Isso foi um lembrete não apenas para mim e para os jornalistas filipinos, mas para jornalistas do mundo todo, de que nós não estamos sozinhos. E de que nós fazemos o nosso trabalho, nós servimos ao povo. E que nós preenchemos um importante critério em qualquer democracia. Eu acho que a última parte aqui é que as plataformas de mídias sociais fizeram com que todo o conteúdo fosse igual: mentiras e fatos. Seus algoritmos têm sido explorados por líderes populistas e autoritários que usam a mentalidade do “nós contra eles” para serem eleitos. Uma vez eleitos, eles começam a colapsar as instituições de dentro para fora.

Que lição é possível extrair da relação dessas plataformas de mídias sociais com a apuração de fatos?

O que isso mostra a nós, jornalistas, é que as histórias que contamos não deveriam ser misturadas com as mentiras, que estão amarradas, subjacentes, e que se espalham mais rapidamente e mais longe do que as histórias que contamos. No fim das contas, os fatos são bem enfadonhos. Passamos toda a nossa carreira aprendendo a como contar histórias que capturem os interesses e as emoções de nosso povo. Mas nada pode bater as mentiras que vão em uma lama tóxica que escorre pelas mídias sociais. Ou em contas privadas, que é a forma como um jornalista é atacado. Mas isso nos mostra que há uma qualidade especial para o jornalista que a maioria dos criadores de conteúdo não teriam. E essa qualidade especial é a coragem. Quem quer dizer a alguém muito poderoso que ele está errado? Ou dizer: “Ei, você tem que responder a essas perguntas!”. Pessoalmente, você não quer fazer isso, certo? Porque sabe que esses tipos de líderes autoritários são vingativos. E vão descontar em você. Assim como fizeram com a Rappler. Eu tive 10 mandados de prisão nos últimos dois anos. Mas parte central do jornalista, que é a coragem, o mantém fazendo perguntas, o mantém fazendo reportagens investigativas.

Nós falávamos sobre as mentiras que têm sido disseminadas pelas redes sociais. Qual é a receita para combater as fake news?

Eu penso sobre três meios. Nós temos os pilares da Rappler. Quando criamos a Rappler, em 2012, nós vivíamos nas mídias sociais. Era a principal plataforma de distribuição. À medida que as mídias sociais cresceram, o resto das organizações de notícias veio para essas plataformas. Era a ambição dessas plataformas de tecnologia americanas. Um processo, um modelo de negócios ao qual o ex-professor emérito da Universidade de Harvard Shoshana Zuboff chamou de capitalismo de vigilância. Que nossos dados, tudo o que publicamos, são aproveitados por uma máquina de aprendizado para criar um modelo de nós, que, ainda que sem sentido, seja melhor do que nós. E isso tudo é aglutinado pela inteligência artificial para servir ao momento mais fraco de uma propaganda, isso é o anúncio publicitário, ou ao governo, e esta é a nova propaganda.

Qual é a diferença entre ambas?

Cada uma é como se fosse um ciclo. É como se fosse uma rede, de fato. Se você clicar em um link que diz que você gosta do governo, você é levado mais fundo até o final, porque a meta é mantê-lo no site. Qual é a solução? Três pilares: tecnologia, jornalismo e comunidade. O primeiro: a tecnologia. A Rappler permanece como parceiro da checagem de fatos do Facebook, enquanto há apenas dois parceiros checadores de fatos filipinos. Também sou parte do Fórum sobre Informação e Democracia, baseada em Paris. Em novembro de 2020, nós apresentamos 250 soluções técnicas e uma dúzia de soluções estruturais. Acho que esse jogo de moderação de conteúdo é um caminho errado trilhar. Essa plataforma deveria usar a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

E no que diz respeito ao pilar “Jornalismo”?

Sobre o jornalismo, nós continuamos a fazer jornalismo investigativo. Ao mesmo tempo, concordei em ser uma coach aqui para o Fundo Internacional para Mídia de Interesse Público, um achado global... Meu coach era o ex-CEO do The New York Times, Mark Thompson. Isso era para tentar arrecadar US$ 1 bilhão por ano para ajudarmos a mídia independente em países como o nosso. Você pode mudar... Você pede a nações democráticas que agora dão 0,3% de sua ODA, ou ajuda de desenvolvimento no exterior. Apenas 0,3%. Podemos aumentar isso até 1%. E além de US$ 1 bilhão. E então podemos ajudar as empresas de notícias, como a nossa, a sobreviverem. O último pilar é a nossa comunidade. Todas essas operações de informações seguem uma tática militar. Elas são, atualmente, parte da doutrina militar russa. Muitos países abusam do que chamam de táticas suaves, de psicologia suave, as operações psicológicas. Na era das mídias sociais, isso ganha muito mais poder, pois temos visto isso ser manipulado. As plataformas de mídias sociais estão adotando o comportamento de sistemas de modificação. Isso é um experimento em tempo real. Nós escrevemos essas reportagens para contá-las à nossa comunidade. Então, eles (leitores) ficam cientes de seu escopo global. Fizemos reportagens quando a denunciante Frances Haugen depôs no Senado, na semana passada. Porque isso nos impacta. Se você tem filhos usando o Instagram, eles serão afetados da mesma forma que os americanos e os filipinos. Isso é parte do que estamos fazendo. Em relação à Rappler, estamos montando nossa própria plataforma tecnológica. Somos pequenos, mas vamos fazê-la funcionar em novembro. Esperamos... Qual a proposta disso? Sermos capazes de nos basearmos em fatos, em evidências, em diálogos e em raciocínios que ajudarão no fortalecimento das democracias.

Em alguns países, mesmo no Brasil, os jornalistas são desacreditados pelo presidente e por seus apoiadores. Como é possível reverter essa tendência? O Nobel pode ajudar nisso?

Absolutamente! Isso vale tanto para vocês quanto para nós, filipinos. De novo, a tática de chamar o jornalismo investigativo de “fake news”. Como o poder foge da responsabilização. Eu espero que... Deixe-me dizer o que sempre digo. A real baixa com a mudança... Quando os jornalistas perdem os poderes para a tecnologia, as baixas reais são os fatos. Porque os algoritmos das plataformas de mídias sociais tornam os fatos discutíveis. Eles tratam os fatos da mesma forma que tratam mentiras. De fato, eles favorecem as mentiras, em termos de distribuição. Aqui vou parafrasear um comediante, Sacha Baron Cohen, quando ele proferiu uma antidefinição. Ele disse que isso não é uma questão de liberdade de expressão, como as plataformas sempre dizem. Isso é um tema de liberdade de alcance.

Como avalia o impacto da disseminação de mentiras?

É fato que as mentiras duram menos, mas se espalham mais rápido e mais distante do que os fatos nas redes sociais. Quando são usados, os algoritmos nos dividem e nos radicalizam. Isso é o que vemos. Quando você não tem fatos, você não pode ter verdades. E se você não tem essas coisas, você não pode ter confiança. E a confiança é a cola que mantém todos os seres humanos unidos. Se não tivermos isso, será impossível lidarmos com as crises existenciais. Não apenas com a democracia, mas também o coronavírus. O Brasil não tem feito um bom trabalho quanto ao coronavírus. Líderes fortes também não o fazem. Porque, para o coronavírus, você deve ter uma abordagem que envolva toda a sociedade. Você não pode criar conteúdo divisivo, não pode tornar os fatos discutíveis. Você não pode manipular as pessoas. Olhem as mudanças climáticas. Teremos que lutar contra isso, juntos. E é aqui onde a liderança se destaca. A mentalidade de “nós contra eles”, a qual manipula fatos... Líderes assim recebem poder por um curto período de tempo, e, no fim, podem matar o seu povo. Não por meio da brutal guerra às drogas da qual o presidente Duterte é acusado, mas um assassinato por meio do vírus. Mentiras podem matar! Por isso, defendo responsabilizar as plataformas e os governos.

Qual sua opinião sobre o presidente Jair Bolsonaro e as ameaças à liberdade de expressão?

Eu acompanho líderes como o presidente Bolsonaro, o presidente Duterte e o ex-presidente Donald Trump. Eles possuem um estilo de liderança parecido. O que temos visto novamente são pessoas em todo o mundo exigindo melhorias, especialmente em relação ao coronavírus. Os líderes populistas e autoritários podem ser eleitos, explorando as fragilidades das plataformas das redes sociais... No caso do presidente Duterte, ele também cometeu erros no establishment político. O problema é que, quando você chega ao poder, se você não governar com fatos ou evidências razoáveis, você não pode governar nesta época precária de coronavírus. (risos) Não tenho uma opinião, porque não estou fazendo reportagens sobre ele, mas eu certamente posso ver. Eu gostaria de citar uma pesquisa sobre propaganda computacional da Universidade de Oxford. Em janeiro deste ano, o estudo concluiu que um exército barato nas mídias sociais fez com que a democracia retrocedesse em 81 países. Em 2017, eram 27 países. Agora, são 81. Isso é o que as plataformas de redes sociais têm feito, mas serei otimista. Elas mostraram à humanidade que temos mais em comum do que diferenças em idiomas, culturas e nações. Porque as mesmas plataformas são manipuladas pelos brasileiros da mesma forma que pelos filipinos. Isso é da natureza humana. O problema é de escopo global. Comecei a falar sobre isso em 2018 ou 2019. Existe a necessidade de uma solução multilateral. É preciso que os países se unam. Assim como fizemos depois do bombardeio nuclear a Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial. Quando uma bomba atômica explodiu, atingiu o nosso sistema de igualdade de informações. O reconhecimento do Comitê Nobel sobre o papel dos jornalistas, sobre a liberdade de expressão e sobre os fatos é algo próximo disso. Agora, temos que replicar o que aconteceu em 1945. O que eles fizeram? Criaram a Otan, as Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este é um dos outros momentos cruciais de nossa história.

A senhora poderia falar sobre o papel da Rappler em desafiar o autoritarismo de Duterte e em criticar a polêmica guerra às drogas?

Em 2016, a Rappler publicou reportagens que nos colocaram na mira deste governo. Nós exigimos a responsabilização de Duterte e de seu governo pela guerra às drogas. A primeira vítima em nossa batalha pela verdade foi o número de pessoas assassinadas. Varia de milhares a dezenas de milhares nos três primeiros anos de governo. Nós deveríamos ter os fatos. Nós também exigimos o fim da impunidade do Facebook, de Mark Zuckerberg. Este é o segundo ano seguido em que os filipinos gastam mais tempo on-line e nas redes sociais. Eles se falaram por meio da internet. Isso faz muito bem, mas, nos últimos cinco ou seis anos, fez um mal tremendo. Eu me mantenho como parceira do Facebook. Eu sei que a tecnologia será parte do nosso futuro. Em breve, as pessoas que dirigem essas empresas norte-americanas perceberão que não podem destruir a democracia, a confiança e a esfera pública. Espero ver diferentes governos se unindo. A União Europeia tem um Plano de Ação Democrática; os Estados Unidos buscam uma legislação, também. Aguardamos há muito tempo uma legislação. Certamente, ela não ajudará os filipinos, que escolherão novo presidente em maio de 2022. Nossa eleição será uma batalha pelos fatos. Trinta e cinco anos depois de os filipinos deporem a dinastia Marcos do poder, Ferdinand “Bonbong” Marcos Jr. oficializou sua candidatura à presidência. Esta será uma eleição interessante e crucial.

Como os jornalistas podem ser usados como ferramentas contra regimes autoritários?

Colaborem. Colaborem. Colaborem. Este novo mundo coloca todos os jornalistas do mesmo lado, independentemente da empresa para a qual trabalhem. É uma lição dura para os jornalistas filipinos perceberem que não vivemos mais em um mundo onde a competição opõe as empresas de notícias. Nós deveríamos colaborar mais em termos de reportagens investigativas. Em 2016, quando mapeamos os sistemas de informação do Facebook, as organizações de notícias estavam no centro. Ao longo do tempo, vimos essas companhias serem empurradas para o lado. No centro de nosso sistema de igualdade de informações, nossa produção se alinhou. Entendo que as plataformas de tecnologia vivem momentos difíceis. Essencialmente, elas participam de uma espécie de corrida armamentista. Todas as vezes que vêm com uma tática, elas derrubam algumas contas. Elas fizeram muito dinheiro e deveriam gastar parte dele para proteger a opinião pública.

Em um mundo repleto de mentiras nas redes sociais, a senhora vê futuro promissor para o jornalismo?

O jornalismo é o momento de se reinventar. A Rappler, quando o governo iniciou processos judiciais contra nós... Nós não deveríamos ter pedido a falência em 2018. Em janeiro daquele ano, o governo tentou fechar a nossa empresa e convocou todos os anunciantes. Em abril de 2018, nós tivemos uma queda de 49% em nossa receita publicitária. Fomos forçados a buscar a sustentabilidade. Não existe tempo melhor para ser um jornalista. Se você é jornalista hoje, você está vivendo atrás do mundo velho e está ajudando a criar um mundo novo. O jornalismo sempre estará aí, porque é a coragem de falar a verdade ao poder, e isso fundamenta a busca por fatos em todos os países do planeta.

Dmitry Muratov, o outro ganhador do Nobel da Paz, perdeu seis colegas jornalistas assassinados. A senhora também sofreu ameaças?

A primeira linha de ataques que sofri foi na esfera psicológica. Nessa era das redes sociais, você não tem mais que matar jornalistas, você tem apenas que matar a credibilidade do jornalista. Você apenas tem que fazer com que as pessoas se virem contra os jornalistas. Isso acontece em cada parte do mundo onde existe uma democracia vibrante. Uma opinião pública que não confia não pode punir o poder. A confiança é a cola que mantém a nossa sociedade unida. Confiança é o que fará com que o motorista pare o carro quando o semáforo estiver vermelho. Até mesmo as leis são baseadas na confiança. Eu cheguei a receber 90 mensagens ameaçadoras por hora em 2016, depois que publicamos nossos relatórios sobre as operações de informação da guerra de propaganda. Eu estou velha. Mas repórteres jovens foram atacados da mesma forma. Em 2017, Duterte desceu ao nível dos jornalistas e disse que somos criminosos. Uma semana depois, fui intimada pela primeira vez. Em 2018, tivemos 11 processos contra a Rappler. No ano seguinte, fui presa e recebi 10 mandados de prisão. Em junho, fui condenada por uma reportagem que eu nem mesma supervisionei. Fui acusada de violar uma lei que nem sequer existia. A Rappler foi inocentada. (risos) Eu fui condenada, mas a Rappler não... Eu disse: “Ok, mas como eles fizeram isso?” A meta aqui nas Filipinas é derrubar fatos. Isso é uma batalha por fatos. Jornalismo é ativismo.

Que mensagem a senhora daria aos jornalistas e aos estudantes de jornalismo?

Obrigada ao Comitê Nobel por escolher iluminar os jornalistas através do que passam pelo mundo. Quão difícil é! O quanto temos nos sacrificado. Jornalistas estão sendo presos ou mortos apenas por fazerem o seu trabalho. Isso tem piorado muito. Se você é um jornalista jovem hoje, esta é a melhor época para ser um jornalista. Porque você não segue os passos de ninguém. Você mantém os padrões, a ética e a ambição do jornalismo. O que o jornalismo vai se tornar... Isso é o que estamos criando agora! É um desafio para a nossa sociedade perceber que eles não podem enterrar suas cabeças e não podem fingir que não veem. Proteja os fatos. Espero que o Brasil faça o mesmo. Depois do coronavírus, o mundo nunca mais será o mesmo. Quando sairmos do lockdown, vamos pisar os escombros do mundo que existiu. A questão é: que tipo de mundo vamos construir? E este é um desafio para os jornalistas de todo o mundo.

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