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Conselho da Europa retira campanha que celebra 'liberdade no hijab'

A campanha foi condenada pela França, que a equiparou a uma promoção do véu

Agencia France Presse
postado em 03/11/2021 11:35
 (crédito: RIZWAN TABASSUM/AFP)
(crédito: RIZWAN TABASSUM/AFP)

O Conselho da Europa, órgão que monitora a situação dos direitos humanos no continente, retirou de circulação, na terça-feira (2), uma campanha que celebrava a diversidade e a "liberdade no hijab".

A campanha foi condenada pela França, que a equiparou a uma promoção do véu.

Lançada na quinta-feira pelo órgão do Conselho contra a discriminação, e cofinanciada pela União Europeia (UE), esta campanha propunha nas redes sociais retratos de várias jovens com véu em uma metade da imagem, e sem véu, na outra.

Uma mensagem em inglês dizia: "a beleza está na diversidade, assim como a liberdade está no hijab".

No início, passou relativamente despercebida, mas acabou gerando uma acalorada polêmica na França, país onde o véu islâmico é uma questão sensível há mais de 30 anos. E, sobretudo, neste momento. A França acaba de entrar em uma campanha presidencial, na qual os temas da identidade, do islã e da imigração estão muito presentes.

Julgando a campanha "contrária aos (seus) valores", porque "preconiza o uso do véu, a França expressou sua desaprovação extremamente viva e, por isso, (a campanha) foi retirada", explicou na terça-feira à noite, em declarações à rede de televisão LCI, a secretária de Estado da Juventude, Sarah El Hairy.

"Obviamente, defendemos a liberdade de convicção, a laicidade, a liberdade religiosa, mas este vídeo não defende isso. Este vídeo defende o véu como elemento identitário", frisou.

"Estes tuítes foram retirados, e vamos pensar em uma melhor apresentação do projeto", afirmou o Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo, em um comunicado.

"Os tuítes faziam parte de um projeto conjunto" do Conselho e da União Europeia "contra a discriminação, cujo objetivo era sensibilizar sobre a necessidade de se respeitar a diversidade e a inclusão e de combater todos os tipos de discurso de ódio", justificou o organismo.

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