COP26

COP26: China fica de fora de acordo para eliminar queima de carvão

Governo chinês não comparece à COP26 e fica de fora de aliança para extinção de geração de energia por meio da queima de carvão. Entidades desaprovam a atitude e prometem impasses em negociações econômicas com o país

Tainá Andrade
postado em 10/11/2021 18:37 / atualizado em 10/11/2021 18:37
 (crédito: AFP)
(crédito: AFP)

Um dos pontos de tensão na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), que acontece em Glasgow, na Escócia, é a efetiva participação dos Estados Unidos e da China nos cumprimentos detalhados no Acordo de Paris. A implementação de medidas para a diminuição de emissões de gases na atmosfera por esses países é de importância extrema para o mundo. No entanto, o presidente Xi Jinping optou por não comparecer à Cúpula do Clima.

Na semana passada, no evento, foi firmado uma aliança internacional com o foco em extinguir progressivamente a geração de energia através da queima de carvão. A prática para garantir fonte de energia representa, para a China, 60% da sua produção elétrica, o que a torna a maior produtora de energia poluente no mundo.

Com a ausência do principal representante chinês no acordo, o movimento Democracia Sem Fronteiras se manifestou em relação à postura do país diante dos enfrentamentos climáticos.

“A manutenção do PCCh no poder precisa que a economia chinesa cresça acima da média mundial, garantindo assim a meta de se tornar a maior economia do mundo antes de 2030. Para o presidente Xi Jinping, não importa o futuro, a não ser sua manutenção no poder, mesmo que isso prejudique o meio ambiente e o resto do mundo”, destaca o porta-voz da entidade, Jorge Santos.

Para ele, o presidente chinês demonstrou “desprezo” às questões ambientais, diretamente ligadas a temas democráticos e de direitos humanos. Portanto, o que for obstáculo ao crescimento da China e meta para se tornarem a maior economia global antes de 2030 deve ser tratado como tema secundário e sem relevância na COP.

“Hoje as maiores democracias do mundo estão preocupadas com as questões de desenvolvimento sustentável para as próximas gerações. Chegará um momento em que será inevitável esse choque 'cultural' de visões de mundo e do futuro, onde não há mais espaços para esses pensamentos e modelos chineses de desenvolvimento a todo custo”, ressaltou Santos.

Por sua vez, Xi enviou uma declaração com pedido para que os países cumpram suas promessas e “fortaleçam a confiança e a cooperação mútuas”.

Histórico

Em outubro deste ano, as autoridades chinesas anunciaram o aumento de quase 6% na queima de carvão para enfrentar a escassez de energia no país. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) comunicou a abertura de 153 minas, para aumentar sua capacidade em 220 milhões, o que confere um aumento de 5,7% na produção.

Em contrapartida, o presidente Xi prometeu o início da redução das emissões poluentes antes de 2030 e afirmou que em setembro o país iria parar de construir novas centrais elétricas de carvão no exterior.

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