Um grande desafio

Festival hindu Gangasagar Mela pode 'superpropagar' a covid-19

O governo local pediu prudência à população, instando a realização de testes de covid.

Agência France-Presse
postado em 13/01/2022 11:18
 (crédito:  DIBYANGSHU SARKAR / AFP)
(crédito: DIBYANGSHU SARKAR / AFP)

Isla Sagar, Índia- Centenas de milhares de peregrinos indianos começaram a se reunir, nesta quinta-feira (13), na ilha de Sagar, no Ganges, para o Gangasagar Mela, um grande festival religioso que deve receber milhões de pessoas, apesar do aumento alarmante de casos de covid-19 na Índia.

Embora a variante ômicron esteja se espalhando em alta velocidade, na semana passada um tribunal em Calcutá autorizou a celebração do Gangasagar Mela nesta ilha na foz do Ganges, no estado de Bengala Ocidental (leste).

Até três milhões de peregrinos hindus, incluindo sadhus - ascetas com seus corpos cobertos de cinzas e suas cabeças cobertas de dreadlocks - deverão comparecer ao festival para banhos expiatórios rituais neste rio sagrado.

O governo local pediu prudência à população, instando a realização de testes de covid.

Mamata Banerjee, ministra-chefe de Bengala Ocidental, recomendou o uso de máscara dupla e pediu aos peregrinos que não "cuspam", um costume que ela diz "espalhar o vírus".

Nesta quinta-feira, a Índia registrou 247.417 novas infecções em 24 horas.

No auge da pandemia, em maio, a Índia registrava mais de 400.000 novas contaminações e cerca de 4.000 mortes por dia, em meio a cenas traumatizantes em hospitais, transbordando de pacientes agonizantes.

A Índia parece mais bem preparada para resistir à ômicron hoje do que na primavera passada, quando a variante delta causou mais de 200.000 mortes em poucas semanas.

- "Um grande desafio" -


Essa terrível onda epidêmica veio após o festival Kumbh Mela, uma das maiores congregações religiosas do mundo, com a participação de cerca de 25 milhões de hindus.

Como o Kumbh Mela, Gangasagar Mela atrai fiéis de todo o norte da Índia, que viajam a bordo de trens, ônibus e barcos lotados para chegar à ilha.

Eles voltarão para casa potencialmente contaminados pela ômicron, uma variante altamente contagiosa.

"É um grande desafio manter qualquer distância social", admite P. Ulganathan, magistrado distrital, à AFP.

"Não há dúvida de que essa multidão e a falta de higiene das pessoas aumentarão a disseminação (...)", acrescenta.

De acordo com Amitava Nandy, especialista em vírus da Escola de Medicina Tropical de Calcutá, o governo local "não tem instalações nem mão de obra" para testar todos os presentes ou impor normas anticovid.

O festival "pode terminar com uma super disseminação do vírus na Índia", disse o médico à AFP.

Mas para Sarbananda Mishra, um hindu fervoroso de 56 anos do estado vizinho de Bihar, "a fé em Deus superará o medo da covid. O banho nos purificará de todos os pecados e nos salvará".

"A morte é a verdade suprema. Qual é a utilidade de viver com medo?", conclui o professor.

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