Escândalo na Monarquia

Príncipe Andrew perde títulos honorários

Correio Braziliense
postado em 14/01/2022 00:01
 (crédito:  John Thys/AFP)
(crédito: John Thys/AFP)

Era uma vez um príncipe que foi acusado de molestar uma garota de 17 anos e caiu em desgraça. O que poderia ser um conto tornou-se o mais novo escândalo a abalar as estruturas da monarquia britânica. Filho da rainha Elizabeth II, o príncipe Andrew perdeu todos os cargos honorários à frente de regimentos militares e de associações de caridade. Ele também ficará impedido de ostentar o título de Alteza Real. Andrew responde a processo civil, nos Estados Unidos, por agressão sexual contra a norte-americana Virginia Guiffre, que o acusa pelo crime supostamente cometido em 2001, quando ela era uma menor de idade.

"Com a aprovação e o acordo da rainha, as afiliações militares e os patrocínios reais do duque de York foram devolvidos", anunciou o Palácio de Buckingham, por meio de um breve comunicado. "O duque de York continuará sem desempenhar nenhuma função pública e se defenderá neste caso na qualidade de cidadão privado", acrescentou.

A decisão foi tomada horas depois de mais de 150 veteranos do Exército britânico pedirem a Elizabeth II a remoção dos títulos militares de Andrew — um ex-piloto de helicóptero que foi considerado herói da Guerra das Malvinas, em 1982. A justificativa é a de que Andrew deixou de cumprir com as obrigações de "probidade, honestidade e comportamento honrado" que os militares britânicos têm. A perda dos títulos honorários e militares ocorre um dia após a Justiça de Nova York recusar o recurso de indeferimento da denúncia de agressões sexuais apresentada por Virginia.

A mulher que acusa Andrew é uma das vítimas de crimes sexuais do gestor financeiro americano Jeffrey Epstein, declarado culpado de pedofilia por um tribunal da Flórida e que se suicidou na prisão em Nova York em agosto de 2019. Andrew e Epstein eram amigos. O príncipe chegou a defendê-lo em entrevista concedida à emissora britânica BBC, em novembro de 2019. 

Autor de Prince Andrew: Epstein, Maxwell and the Palace ("Príncipe Andrew: Epstein, Maxwell e o Palácio"), Nigel Cawthorne explicou ao Correio que a reputação do filho de Elizabeth II estava em "frangalhos". "Agora que a mãe o rejeitou, não há como retroceder. Ainda há o trâmite de todo o processo legal e, depois, o julgamento. Devemos dar a Andrew, como a qualquer pessoa, a presunção da inocência. Se ele perder na esfera civil, certamente as acusações criminais seguirão seu caminho, tanto nos EUA quanto no Reino Unido", comentou.

Para Cawthorne, com a deserção do príncipe Harry, neto de Elizabeth II, para os Estados Unidos e as acusações de "imposto de honra" contra o príncipe Charles, "a carruagem do Castelo de Windsor está perdendo as rodas". "Quando a rainha morrer, será difícil ver qualquer futuro para a família real britânica", advertiu. (RC)

 

Com a aprovação e o acordo da rainha, as afiliações militares e os patrocínios reais do duque de York foram devolvidos"

Palácio de Buckingham, por meio de breve comunicado 

Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação