Fim das restrições

Mais de 300 pessoas são multadas e 54 presas em protesto em Paris

As caravanas contra as restrições anticovid chegaram a Paris neste sábado (12) sem realizar seu objetivo de bloquear a capital francesa, após alguns enfrentamentos com a polícia

Fanny Lattach - Agência France-Presse
postado em 12/02/2022 19:31
 (crédito:  Sameer Al-Doumy/AFP)
(crédito: Sameer Al-Doumy/AFP)

Paris, França | As caravanas contra as restrições anticovid, inspiradas nas canadenses, chegaram a Paris neste sábado (12), sem realizar seu objetivo de bloquear a capital francesa, após alguns enfrentamentos com a polícia, que dispersou com gás lacrimogêneo um grupo que ocupava a avenida Champs Elysées.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, informou em um tuíte que as autoridades multaram 337 pessoas e detiveram 54.

Entre eles estava Jérôme Rodrigues, um dos rostos conhecidos dos "coletes amarelos", o movimento desencadeado pelo aumento nos preços dos combustíveis na França entre 2018 e 2019.

A mobilização deste sábado, proibida pelas autoridades, reuniu críticos da gestão que o presidente Emmanuel Macron faz da pandemia e "coletes amarelos".

A ideia de ir a Paris se inspirou no chamado "Comboio da Liberdade", que paralisa a capital do Canadá, Ottawa.

Milhares de pessoas, procedentes de todas as regiões da França, vindas de carro, caravanas e caminhonetes, passaram a noite acampadas perto da capital.

Por volta das 14h locais (10h de Brasília), uma centena de veículos conseguiu chegar à Champs Elysées, onde passageiros e pedestres agitavam bandeiras aos gritos de "liberdade!".

A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

As forças de segurança retiraram os pedestres que cercavam o Arco do Triunfo e foram encurralando os manifestantes nos jardins do extremo oposto da avenida.

O tráfego foi restabelecido gradativamente na avenida, mas confrontos esporádicos continuavam sendo registrados à tarde.

Poder aquisitivo

Outros manifestantes que chegaram nas caravanas decidiram se juntar aos protestos contra o passaporte vacinal, que costumam ocorrer aos sábados na cidade.

Os manifestantes se opõem ao passaporte da vacina anticovid, necessário para acessar muitos locais públicos. Mas alguns também saíram às ruas para protestar contra o aumento dos preços da energia e dos alimentos, questões que desencadearam os protestos dos "coletes amarelos".

Jean-Paul Lavigne, de 65 anos, 40 deles trabalhando em uma fábrica, chegou de Albi (sudoeste) na quinta-feira. Ele disse protestar contra o aumento dos preços, mas também contra as vacinas, "uma mentira do nosso governo".

Quatro manifestações contra o passaporte de vacinação reuniram 7.665 pessoas em Paris, segundo dados da polícia. A cifra não leva em conta os manifestantes que chegaram nas caravanas, que não foram autorizadas.

Cerca de 7.200 policiais e gendarmes foram destacados, segundo as autoridades e veículos blindados da gendarmaria também foram mobilizados nas ruas parisienses.

O primeiro-ministro, Jean Castex, prometeu ser inflexível sobre esse movimento. "Se bloqueiam a circulação ou tentam bloquear a capital, temos que ser muito firmes", insistiu em uma aparição na rede de televisão France 2.

Macron pede calma

Macron fez um apelo à calma e admitiu que há um cansaço coletivo devido à situação que se arrasta há dois anos.

"Esse cansaço se expressa de diferentes maneiras: desespero em alguns, depressão em outros. Vemos um sofrimento mental muito forte, em jovens e não tão jovens. E às vezes esse cansaço se traduz em raiva. Eu entendo e respeito", disse Macron em uma entrevista ao jornal Ouest-France.

"Mas peço mais calma", acrescentou.

A proibição dos comboios foi ratificada nesta sexta-feira pela justiça, que rejeitou dois recursos.

"É uma traição. Os fundamentos da ordem (de proibição) não respeitam a lei e a liberdade de manifestação", disse à AFP Sophie Tissier, militante antivacinas e "colete amarelo".

Dois meses antes das eleições presidenciais na França, os manifestantes exigem a retirada do certificado de vacina, que só permite a entrada de pessoas imunizadas em restaurantes, cinemas e outros locais e que o governo diz querer abolir até abril, uma promessa recebida com desconfiança pelos manifestantes.

 

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