Coreia do Norte

Coreia do Norte dispara 'projétil não identificado', diz Seul

A casa presidencial sul-coreana manifestou "profunda preocupação e grave pesar" e criticou o momento do teste, "quando o mundo faz esforços para resolver a guerra na Ucrânia"

Agência France-Presse
postado em 27/02/2022 09:31
 (crédito: Jung Yeon-je / AFP)
(crédito: Jung Yeon-je / AFP)

A Coreia do Norte disparou um "projétil não identificado" - informaram as Forças Armadas sul-coreanas neste domingo (27), após um mês sem lançamentos por parte do regime comunista, durante os Jogos Olímpicos de Pequim.

Trata-se do oitavo lançamento do ano, por parte da Coreia do Norte. Segundo analistas, os testes foram interrompidos neste período, possivelmente, em deferência à sua única aliada, a China.

De acordo com as Forças Armadas sul-coreanas, um míssil balístico foi disparado, às 7h52 locais (19h52 de sábado em Brasília), de Pyongyang para o mar do Japão.

"A Coreia do Norte disparou um projétil não identificado para o leste", anunciou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.

"O último míssil balístico teve um alcance de cerca de 300 quilômetros e uma altitude em torno de 620 quilômetros. Os detalhes estão sob análise das Inteligências sul-coreana e americana", completou o comunicado militar.

A casa presidencial sul-coreana manifestou "profunda preocupação e grave pesar" e criticou o momento do teste, "quando o mundo faz esforços para resolver a guerra na Ucrânia".

O Japão também confirmou o lançamento deste domingo. Em entrevista à AFP, um porta-voz do Ministério da Defesa se referiu a um disparo "potencial de míssil balístico", procedente da Coreia do Norte, sem especificar quantos.

A Guarda Costeira japonesa emitiu um aviso aos navegantes sobre "um potencial míssil balístico possivelmente lançado da Coreia do Norte".

Mundo se volta para Ucrânia

Com a comunidade internacional concentrada na invasão da Rússia à Ucrânia, os analistas já esperavam que Pyongyang aproveitasse esta oportunidade para retomar seus testes.

"Com o interesse americano voltado para a crise na Ucrânia, e o Conselho de Segurança da ONU incapaz de funcionar, Pyongyang aproveita a oportunidade", disse à AFP Shin Beom-chul, pesquisador do Korea Research Institute for National Strategy.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Masayoshi Hayashi, falando sobre a Ucrânia, ao vivo, em um canal de televisão, quando surgiu a notícia da Coreia.

"Esta situação na Ucrânia não é algo que fique apenas na Ucrânia, ou na Europa. Pode afetar, potencialmente, o mundo todo, na região do Indo-Pacífico, ou na Ásia Oriental, do nosso ponto de vista", disse Hayashi.

O Japão se juntou à bateria de sanções impostas à Rússia por Estados Unidos, União Europeia e outros países ocidentais. A Coreia do Sul também manifestou sua intenção de fazer o mesmo e acompanha de perto a situação.

Os novos lançamentos norte-coreanos acontecem em um momento complexo para a península, já que a Coreia do Sul se prepara para sua eleição presidencial em 9 de março.

O presidente em final de mandato, Moon Jae-in, que buscou, repetidas vezes, negociações de paz com Kim durante seu mandato de cinco anos, alertou que a península pode facilmente entrar em uma nova crise.

"Se os lançamentos de mísseis da Coreia do Norte chegarem a romper a moratória sobre os mísseis de longo alcance, a península coreana cairá, instantaneamente, no estado de crise que enfrentamos há cinco anos", disse ele, em entrevista este mês aos correspondentes de veículos estrangeiros, entre eles a AFP.

Especialistas afirmam que Pyongyang poderia usar sua próxima data-chave, o 110º aniversário do nascimento do falecido líder Kim Il-sung, em 15 de abril, para fazer um importante teste de armas.

Em janeiro, Pyongyang fez um número recorde de sete testes de armas, que incluíram o disparo de seu míssil mais potente desde 2017, quando Kim Jong-un tentou provocar o então presidente americano, Donald Trump, antes de iniciar uma negociação que fracassou dois anos depois e segue paralisada.

Nos últimos meses, o isolado regime comunista intensificou seus testes militares e, em janeiro, ameaçou abandonar a moratória autoimposta sobre os testes de mísseis nucleares e intercontinentais, suspensos em 2017.

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