Europa

Ucrânia: UE pede que africanos tenham "oportunidades iguais" na fronteira

Acusações de racismo na divisa entre os países do bloco e a zona de guerra surgem desde o primeiro dia da nova crise de refugiados. Nesta quarta, personalidades políticas foram a público condenar o tratamento discriminatório

Jéssica Gotlib
postado em 02/03/2022 11:53 / atualizado em 02/03/2022 12:02
Refugiados da África, Oriente Médio e Índia - principalmente estudantes de universidades ucranianas - estão na passagem de fronteira de Medyka fugindo do conflito -  (crédito: Wojtek Radwanski/AFP)
Refugiados da África, Oriente Médio e Índia - principalmente estudantes de universidades ucranianas - estão na passagem de fronteira de Medyka fugindo do conflito - (crédito: Wojtek Radwanski/AFP)

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, foi ao Twitter nesta quarta-feira (2/3) apelar às autoridades de fronteira com a Ucrânia para que deem oportunidades iguais aos africanos que tentam sair da zona de guerra. Desde a invasão do país pela Rússia, há relatos de pessoas não-brancas, especialmente de países da África e indianos, sendo barrados na travessia para os vizinhos.

Borrell citou iniciativa do governo ucraniano divulgada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba em uma mensagem postada no Twitter. “A mensagem de Dmytro Kuleba é clara e precisa: os africanos que tentam sair da Ucrânia devem ter acesso às mesmas oportunidades para regressarem aos seus países de origem em segurança. Estamos gratos aos esforços do Governo da Ucrânia nesta frente”, escreveu o representante europeu.


A maioria dos africanos residentes no país é formada por jovens estudantes. Assim como milhares de outras pessoas, eles tentam sair das regiões atingidas pelo conflito pelas divisas com os países mais próximos, como a Polônia. As denúncias e relatos de racismo nas divisas levaram a uma mobilização de organizações internacionais de direitos humanos, da União Africana e do governo da Nigéria a pedirem que as autoridades aduaneiras parem com os protocolos discriminatórios.

Na segunda-feira (28/2), o governo ucraniano divulgou que implantaria uma série de esforços específicos para que todos conseguissem fugir da guerra, independente da raça. “A invasão da Ucrânia pela Rússia afetou ucranianos e não-cidadãos de muitas maneiras devastadoras. Os africanos que buscam a evacuação são nossos amigos e precisam ter oportunidades iguais para retornar aos seus países de origem com segurança. O governo da Ucrânia não mede esforços para resolver o problema”, escreveu Kuleba no perfil oficial do Twitter.

O conflito no leste causou uma nova crise de refugiados pela Europa. Segundo o balanço mais recente da ONU, 836 mil pessoas saíram do país até agora.

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