Entrevista Slawomir "Steve Poland", sósia de Vladimir Putin

"Corações diferentes", afirma sósia de Vladimir Putin

Rodrigo Craveiro
postado em 20/03/2022 06:00
 (crédito: Arquivo pessoal )
(crédito: Arquivo pessoal )

Nas ruas, ele recebe olhares de desaprovação e rancor. Chega a tentar evitar contato direto com quem não conhece, sob medo de represálias. Tem sido assim desde 24 de fevereiro, quando as tropas da Rússia invadiram a Ucrânia. Morador de Breslávia, no oeste da Polônia, Slawomir "Steve Poland" — um  "homem maduro em seus 50 e poucos anos", segundo ele, é sósia do presidente russo, Vladimir Putin. Em 12 de março, o também ator ajudou o uzbeque Umid Isabaev, sósia de ninguém menos do que o líder ucraniano Volodymyr Zelensky a fugir da Ucrânia. A complexa operação de resgate contou com a ajuda de Howard X, sósia do ditador norte-coreano, Kim Jong-un. Em entrevista ao Correio, Slawomir falou sobre a guerra e contou o que faria se encontrasse o verdadeiro Putin. "Eu diria a ele: 'Você não tem que ser um tirano para as pessoas respeitarem e amarem você'."

Como é ser tão parecido  com Vladimir Putin em tempos de guerra?

Desde o início da guerra na Ucrânia, as pessoas me abordam na rua com muito mais frequência. Elas tentam tirar fotos minhas quando não estou vendo. Também costumam perguntar se temo por minha vida e se tenho enfrentado situações desagradáveis. Eu tenho evitado contato direto com pessoas que não conheço, mas, de fato, minha vida mudou muito nas últimas três semanas. As pessoas me olham como se guardassem rancor de mim, ante o fato de que o verdadeiro Putin assassina mulheres inocentes e crianças. Não é um papel fácil em tempos difíceis de guerra. 

Quando o senhor começou a trabalhar como sósia do presidente russo e como percebeu que era tão parecido com ele?

Trabalho como sósia de Putin desde 2012. Tenho participado de muitos eventos mundo afora. Ricos me convidam para sua festa de aniversário, mas também tenho feito comerciais e vídeos para as redes sociais. Desde que Putin ascendeu ao poder, as pessoas me abordam na rua e perguntam: "Você sabe que se parece com Putin?". Respondo que sim, antes de tirarmos fotos juntos. 

Como surgiu a ideia de salvar o "Zelensky"?

Assim que a guerra teve início, recebi uma mensagem de meu colega Howard X, sósia de Kim Jong-un (ditador norte-coreano). Ele me pediu que ajudasse um homem, sósia como nós e muito parecido com o presidente da Ucrânia. Precisava de ajuda para sair de Kiev. Telefonei para amigos na Polônia e na Ucrânia para organizar uma operação de auxílio a ele. Graças a meus contatos nas fileiras da Guarda Nacional da Ucrânia, conseguimos retirar Umid Isabaev de Kiev e levá-lo à fronteira com a Polônia; depois, a Wrocaw, minha cidade natal. Retirar Umid da Ucrânia foi muito perigoso porque o serviço secreto russo queria levá-lo a Moscou. Graças à ação profissional, Umid está a salvo na Polônia.

Se pudesse encontrar o verdadeiro Putin, o que diria a ele?

Eu olharia bem no fundo dos olhos dele e diria a ele que a aparência não decora uma pessoa. Temos rostos iguais, mas corações completamente diferentes. Você não tem que ser um tirano para as pessoas respeitarem e amarem você. Apesar da riqueza que Putin acumulou, ele jamais conhecerá a felicidade que tenho sem estar no lugar dele. 

De que maneira o senhor vê a guerra na Ucrânia?

Acho que Putin se aproveitou da fraqueza dos políticos de outros países e decidiu pela solução mais vergonhosa para seus problemas. Estou muito triste e com raiva que uma guerra tão monstruosa pudesse ocorrer, no meio da Europa, em pleno século 21. Sou um ferrenho opositor da política de Putin e do regime que ele criou na Rússia. Antes da guerra na Ucrânia, as pessoas estavam ansiosas para tirar fotos comigo. Hoje, tento não provocar a situação, então, prefiro evitar aglomerações.

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