Odessa ergue trincheiras para se defender de ataque

Correio Braziliense
postado em 18/03/2022 00:01
 (crédito: BULENT KILIC / AFP)
(crédito: BULENT KILIC / AFP)

Chamada de "Pérola do Mar Negro", a cidade histórica de Odessa vive momentos de uma rotina incomum, entre a delicadeza da chegada da primavera e a espera por um ataque russo já várias vezes anunciado. De certa forma ainda a salvo dos horrores da guerra no norte e leste da Ucrânia, a população experimenta, ao mesmo tempo, um clima de descontração e temor.

Os principais monumentos estão protegidos. Pelas ruas, sacos de areia, vigas de ferro soldadas em cruz e tanques nos cruzamentos lembram, a todo o tempo, que o pior pode acontecer de uma hora para a outra. Odessa foi transformada em uma fortaleza.

Primeiro porto da Ucrânia no Mar Negro, Odessa, com um milhão de habitantes antes da guerra (apesar de mais de 100 mil já terem fugido, segundo o município), é um alvo estratégico e simbólico para Moscou.

Fundada no fim do século 19 pela imperatriz russa Catalina II e pelo duque de Richelieu, o centro da cidade fervilhava de gente em tempos de paz, com seus cafés da moda e o luxuoso Hotel de Paris, de frente para o porto. Sem contar a Escadaria de Potemkin, com seus 192 degraus, onde o soviético Sergei Eisenstein filmou uma das cenas mais famosas da história do cinema, em O Encouraçado Potemkin, de 1925.

Dominando as escadas, a estátua do Duque de Richelieu, completamente coberta de sacos de terra, deu a volta ao mundo. A de Catalina II, mais alta e menos exposta, carrega uma bandeira ucraniana para toda sua proteção.

"Dói ver nosso patrimônio histórico coberto de sacos de terra e barricadas, mas estamos preparados", diz, sorridente, a jovem militar Diana Krainova, encarregada da imprensa.

Nascido na cidade, o prefeito Gennadiy Rujanov, que ocupa o cargo desde 2014, afirma que Odessa está preparada para enfrentar os russos. "Tínhamos planos de reformar o centro da cidade e aqui estamos, pensando na guerra. É um pesadelo, não faz sentido polêmico", desabafa o polêmico político, que teve seu nome citado nos jornais do Panamá sobre personalidades suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

A despeito do grande poder bélico russo, Rujanov externou confiança na vitória. "As cidades heroicas de Mykolaiv e Kherson estão resistindo ao exército agressor. Isso nos deu 21 dias para nos preparar e tornar nossa cidade uma fortaleza inexpugnável", ressaltou.

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