Coreia do Norte

Kim Jong-un desafia os EUA

Ao inspecionar o lançamento do Hwasongpho-17, líder declarou que novo míssil mostra a "formidável capacidade militar" de Pyongyang e acrescentou que o país "está totalmente preparado" para um confronto de longo prazo com norte-americanos

Correio Braziliense
postado em 26/03/2022 00:01
 (crédito: KCNA/KCS/AFP)
(crédito: KCNA/KCS/AFP)

Durante o governo do republicano Donald Trump, Kim Jong-un ensaiou a aproximação com os Estados Unidos e chegou a se encontrar pessoalmente com o republicano em três ocasiões — em duas cúpulas e em uma visita à Zona Desmilitarizada, na fronteira entre as Coreias. Os supostos avanços diplomáticos não surtiram efeito prático. Ao supervisionar o lançamento do Hwasongpho-17, um novo tipo de míssil balístico intercontinental (ICBM), o ditador norte-coreano anunciou que seu país tem "uma formidável capacidade militar e técnica, imperturbável diante de qualquer ameaça militar ou chantagem".

Kim avisou que a Coreia do Norte está "totalmente preparada para um confronto de longo prazo com os imperialistas norte-americanos". 

De acordo com o ditador, o novo ICBM "desempenhará sua missão como uma poderosa dissuasão ante uma guerra nuclear" e "tornará o mundo claramente consciente do poder das forças armadas estratégicas do país". O lançamento do Hwasongpho-17, na quinta-feira, teve um viés quase cinematográfico. A agência estatal de notícias KCNA divulgou imagens do teste em vários ângulos, cenas da visita de Kim ao local do disparo e fotos do ditador comemorando, de forma efusiva, o sucesso da manobra. Tudo acompanhado de música ao fundo. 

A KCNA informou que "o míssil, lançado do Aeroporto Internacional de Pyongyang, deslocou-se a uma altitude máxima de 6.248,5km e voou 1.090km por 4.052 segundos, antes de atingir, com precisão, uma área predefinida em águas abertas" no Mar do Japão. O Hwasongpho-17 foi exibido pela primeira vez em um desfile, em outubro de 2020, e definido como um "míssil monstro". 

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu-se, ontem, em caráter de emergência, para debater o tema. Por sua vez, o G7 — grupo dos países mais industrializados do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, mais a União Europeia) — condenou "veementemente" o lançamento, chamando-o de "violação flagrante" das obrigações de Pyongyang com as Nações Unidas. O Hwasongpho-17 chegou mais alto e mais longe do que qualquer projétil previamente testado pelo país. O fato de o artefato ter capacidade nuclear aumenta a preocupação da comunidade internacional. 

"Essas ações imprudentes ameaçam a paz e a segurança regional e internacional, representam um risco perigoso e imprevisível para a aviação civil internacional e a navegação marítima na região e exigem uma resposta unida da comunidade internacional", acrescentaram os chanceleres dos sete países-membros do G7 e do Alto Representante da União Europeia, por meio de um comunicado divulgado ao fim da cúpula, em Bruxelas. 

Os signatários do texto pedem à Coreia do Norte "que aceite as repetidas ofertas de diálogo apresentadas por todas as partes interessadas, incluindo os Estados Unidos, a República da Coreia e o Japão" e "que abandone seus programas de armas de destruição em massa e mísseis balísticos de forma completa, verificável e irreversível".

Analistas

O analista de segurança Ankit Panda declarou à agência France-Presse que "a Coreia do Norte fez um progresso qualitativo importante" com o lançamento do novo ICBM. "Os norte-coreanos estão no limiar de aumentar significativamente a ameaça aos Estados Unidos", advertiu, antes de apontar que o míssil testado pode transportar várias ogivas e evitar de maneira mais fácil os sistemas de defesa antimísseis. 

Na semana passada, a Coreia do Sul relatou um teste fracassado no mesmo aeroporto de Pyongyang: o projétil teria explodido no céu da capital. Analistas afirmaram que era o Hwasong-17. A KCNA indicou que o teste mais recente demonstrou que a arma atende aos "requisitos de design" e pode ser usada "em tempos de guerra". "Este teste parece 'compensar' o lançamento frustrado da semana passada", disse à AFP Soo Kim, analista da Rand Corporation e ex-funcionária da CIA. "O regime parece bastante satisfeito com o resultado", acrescentou. 

  • Agência estatal norte-coreana divulgada imagens do disparo do míssil de Pyongyang
    Agência estatal norte-coreana divulgada imagens do disparo do míssil de Pyongyang Foto: KCNA/KCS/AFP
  • Kim comemora com oficiais o sucesso do teste do ICBM
    Kim comemora com oficiais o sucesso do teste do ICBM Foto: KCNA/KCS/AFP

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