Ameaça nuclear no Báltico

Rússia avisa que, caso a Finlândia ou a Suécia oficialize a adesão à Otan, colocará armas atômicas perto da Escandinávia. Moscou acusa Kiev de atacar cidades do outro lado da fronteira. Parlamento ucraniano classifica invasão russa de "genocídio"

Correio Braziliense
postado em 15/04/2022 00:01
 (crédito: Sergey Bobok/AFP)
(crédito: Sergey Bobok/AFP)

O ex-primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev afirmou, ontem, que Moscou reforçará o contingente  militar, incluindo armas nucleares no Mar Báltico, perto da Escandinávia, se a Finlândia ou a Suécia aderirem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em caso de adesão, "as fronteiras da Aliança com a Rússia seriam multiplicadas por dois. E será necessário defender essas fronteiras", revelou o atual número dois do Conselho de Segurança russo, por meio de mensagem via Telegram. "Neste caso, não poderia mais ser considerado um Báltico não nuclear", acrescentou, evocando também a implantação de sistemas de defesa de infantaria e antiaérea no noroeste da Rússia e forças navais no Golfo da Finlândia.

Ao se referir à população da Finlândia e da Suécia, Medvedev estimou que "ninguém em sã consciência (...) pode querer um aumento de tensão nas suas fronteiras e ter Iskander (mísseis) junto à sua casa, (mísseis) hipersônicos e navios com armas nucleares". A Finlândia, que compartilha uma longa fronteira com a Rússia e tem uma história complicada com seu vizinho, assim como a Suécia, está considerando ingressar na Otan após a ofensiva da Rússia contra a Ucrânia.

Ontem, o Comitê de investigação da Rússia acusou a Ucrânia de ter bombardeado uma cidade fronteiriça russa com dois helicípteros. O suposto ataque teria deixado sete feridos. "Membros das Forças Armadas ucranianas entraram ilegalmente no espaço aéreo russo com dois helicópteros de combate equipados com armas pesadas. Voando em baixa altitude, eles dispararam pelo menos seis tiros em casas residenciais na cidade de Klimovo", na região de Bryansk, declarou o comitê. 

Kiev rejeitou as acusações e afirmou que a Rússia planeja "ataques terroristas" na região fronteiriça para alimentar a "histeria antiucraniana". Segundo o Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, "os serviços especiais do inimigo começaram a colocar em prática um plano para realizar atentados terroristas com o objetivo de injetar histeria antiucraniana na Rússia". Moscou tem ameaçado atacar "centros de comando" na capital da Ucrânia, caso as forças do presidente Volodymyr Zelensky continuem a disparar contra cidades russas perto da fronteira. 

Resolução

O Parlamento da Ucrânia aprovou uma resolução que classifica como "genocídio" as operações do Exército russo no país. "As ações da Rússia visam aniquilar sistemática e consistentemente o povo ucraniano, privando-o do direito à autodeterminação e ao desenvolvimento independente", afirma a resolução, aprovada por uma maioria de 363 votos. "Isso exige o reconhecimento imediato das ações cometidas desde a agressão que começou em 24 de fevereiro de 2022 pelas forças russas como um genocídio do povo ucraniano", acrescentou a resolução.

A resolução pede que a Organização das Nações Unidas (ONU), a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o Parlamento Europeu, a Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e da Otan, bem como os governos e parlamentos de todo o mundo, reconheçam as ações do exército russo na Ucrânia "como genocídio do povo ucraniano". O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também utilizaram o termo para se referir às supostas violações cometidas por Moscou no front.

Navio russo Moskva afunda no Mar Negro

 (crédito: Max Delany/AFP - 17/12/15)
crédito: Max Delany/AFP - 17/12/15

Navio russo Moskva afunda no Mar Negro

O cruzador Moskva (foto), navio-símbolo da frota russa no Mar Negro, avariado durante a ofensiva contra a Ucrânia, afundou, anunciou ontem à noite o Ministério da Defesa da Rússia, enquanto autoridades ucranianas afirmam que seus mísseis o atingiram. "Durante o reboque do Moskva até o porto de destino, o navio perdeu estabilidade por causa dos danos no casco (provocados) pelo incêndio após a explosão de munições", declarou o ministério, citado pela agência estatal TASS. "Em condições de mar agitado, o navio afundou", acrescentou a pasta. Para o Pentágono, o afundamento do cruzador foi um "duro golpe" para a força naval russa no Mar Negro. "Este é um duro golpe para a frota do Mar Negro, esta é uma parte-chave de seus esforços para efetuar algum tipo de domínio naval no Mar Negro", disse à emissora CNN o porta-voz do Pentágono, John Kirby. "Isto terá efeito em suas capacidades", acrescentou.

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