"Não desejo isso para ninguém", diz Anna Volodymyrivna Lytovchenko

Correio Braziliense
postado em 20/04/2022 06:00
 (crédito: Arquivo pessoal )
(crédito: Arquivo pessoal )

"Eu vivia em Mykhailivka, vilarejo perto de Zaporizhzhya (sul). Estivemos sob ocupação russa. Quando houve batalhas no meu vilarejo, meus pais e eu nos abrigamos em esconderijos para salvarmos nossas vidas. Os bombardeios e as explosões eram aterrorizantes. Temi pelos nossos militares. Não queria nenhum deles morto, pois protegiam a minha família. É difícil ver como as pessoas se sentem sob bombardeio. É uma situação que não desejo a ninguém. Quando meu vilarejo foi ocupado, ficamos sem proteção. A única coisa que poderia me assustar seriam os ecos ao longe das rajadas de artilharia. Quando cessavam por um momento, tinha o desejo de voltar a ouvi-las. Quanto mais próximas as explosões, mais perto o fim da ocupação.

A vida sob ocupação russa é diferente, a depender da cidade. Em alguns locais, tudo é calmo. Em outros, os russos matam e estupram. Moradores de meu vilarejo eram capturados e levados para locais desconhecidos. Alguns sofreram espancamentos e tortura. Outros foram executados. O prefeito foi sequestrado. Ativistas que levavam ajuda humanitária também sumiram."

Anna Volodymyrivna Lytovchenko - Estudante, 18 anos, vivia em Mykhailivka (sul) e está refugiada em Khmelnytskyi (centro-leste), a 652km. Depoimento ao Correio.

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