Leste Europeu

Após visita surpresa de Boris Johnson a Kiev, Reino Unido anuncia envio de equipamentos militares à Ucrânia

Ele é o primeiro líder do G7 (grupo que reúne sete dos países mais ricos do mundo, entre eles Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Japão) a viajar ao país durante o conflito

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, encontrou-se com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, neste sábado em Kiev, capital do país.

Segundo o premiê britânico, a visita - que não chegou a ser publicamente informada com antecedência - é uma manifestação de "apoio incondicional" ao povo ucraniano.

Logo após a reunião entre os dois líderes, o Reino Unido anunciou o envio de 120 veículos blindados e de sistemas de mísseis antinavio à Ucrânia, que entra em seu 45º dia de guerra contra a Rússia.

Surpresa

O primeiro indicativo de que Johnson estava em território ucraniano veio de uma foto do encontro com Zelensky postada pela embaixada da Ucrânia em Londres em sua conta no Twitter.

Ele é o primeiro líder do G7 (grupo que reúne sete dos países mais ricos do mundo, entre eles Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Japão) a viajar ao país durante o conflito.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, estiveram em território ucraniano na última sexta-feira. O chanceler da Áustria, por sua vez, Karl Nehammer, também encontrou-se com Zelensky neste sábado.

Em uma declaração dada após o encontro, Boris Johnson afirmou que a "Ucrânia conseguiu o improvável e repeliu as forças russas das entradas de Kiev, alcançando um dos maiores feitos militares do século 21".

"É por causa da liderança resoluta do presidente Zelensky e do heroísmo e coragem invencíveis do povo ucraniano que os objetivos monstruosos de Putin estão sendo frustrados", ele continuou.

"Deixei claro hoje que o Reino Unido está incondicionalmente com eles [ucranianos] nesta luta, e estamos comprometidos a longo prazo. Vamos intensificar nosso apoio militar e financeiro e reunir uma aliança global para colocar um fim nesta tragédia e garantir que a Ucrânia sobreviva e prospere como uma nação livre e soberana."

Reuters
Encontro não foi publicamente anunciado com antecedência

Ao lado de Zelensky, o primeiro-ministro disse ainda que "os ucranianos têm demonstrado uma coragem de leão, mas você, Volodymyr, despertou o rugido desse leão".

Johnson reforçou ainda que o Reino Unido e outros países que têm apoiado a Ucrânia continuariam a apertar as sanções econômicas contra Moscou, incluindo a redução do consumo do petróleo russo e seus derivados.

"Nas últimas horas tive a oportunidade de conhecer um pouco de seu país maravilhoso. Também vi os efeitos trágicos da guerra, uma guerra sem propósito, uma guerra totalmente sem propósito e desnecessária."

Um porta-voz do governo britânico afirmou que "o primeiro-ministro viajou à Ucrânia para se encontrar com o presidente Zelensky pessoalmente em uma demonstração de solidariedade ao povo ucraniano".

Em um post no Facebook, Andriy Sybiha, vice-chefe do gabinete da presidência da Ucrânia, declarou que "o Reino Unido é líder no apoio à defesa da Ucrânia. O líder da coalizão antiguerra. O líder das sanções contra o agressor russo".

Zelensky pediu à comunidade internacional que exija explicações das forças russas pelo ataque com mísseis perpetrado nesta sexta contra uma estação de trem na cidade de Kramatorsk lotada de mulheres e crianças, que tentaram desesperadamente fugir da área. O Kremlin negou responsabilidade pelo ataque.

Reuters
Porta-voz do governo britânico afirma que viagem representa 'demonostração de solidariedade' ao povo ucraniano

A visita de Johnson a Kiev acontece um dia depois de o Reino Unido anunciar o envio do equivalente a 100 milhões de libras em armamentos para a Ucrânia.

Na ocasião, em entrevista coletiva em Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, o premiê confirmou uma remessa de equipamentos militares que incluía mísseis antiaéreos Starstreak e 800 mísseis antitanque.

O anúncio se deu após um apelo da Ucrânia por mais armamentos, durante os preparativos para o que espera ser uma nova ofensiva russa no leste do país, depois que Moscou retirou suas forças de Kiev.


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