FRANÇA

Esquerda é desafio a Macron

Correio Braziliense
postado em 08/05/2022 00:01

Ao tomar posse, ontem, para um novo mandato de cinco anos, o presidente Emmanuel Macron prometeu  trabalhar "sem descanso" por uma França mais autônoma e forte. Na cerimônia, ele também reafirmou seu compromisso com a renovação do país. "Agir sem descanso com um objetivo: ser uma nação mais independente, viver melhor e construir nossas respostas francesas e europeias aos desafios do nosso século", disse o centrista, no Palácio do Eliseu.

O segundo governo de Macron, porém, já começa em um cenário de forte adversidade. Ao contrário de 2017, sua aliança de centro-direita enfrentará uma esquerda unida, que busca impedi-lo de realizar reformas controversas, como aumentar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos, além de uma extrema direita forte.

Numa convenção realizada em Aubervilliers, no norte de Paris, líderes de quatro partidos selaram a criação da Nova União Popular, Ecológica e Social (Nupes), a primeira frente de esquerda em duas décadas para enfrentar Macron nas eleições legislativas do próximo mês. "A eleição presidencial não resolveu nada. Macron é um presidente sem mandato", estimou Jean-Luc Mélenchon, que obteve quase 22% dos votos no primeiro turno da disputa presidencial.

Nas eleições legislativas, Macron buscará renovar sua maioria parlamentar. As sondagens já evidenciam, poucas semanas após a disputa presidencial, que grande parte dos franceses desejam que saia derrotado das urnas.

Apesar de a cerimônia ter ocorrido ontem, o novo mandato de cinco anos começa oficialmente dia 14. Só aí será nomeado o novo primeiro-ministro. A aparente dificuldade de Macron em encontrar um nome ideal para o cargo alimenta especulações.

A ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro socialista Manuel Valls, Véronique Bédague, atual diretora-gerente do grupo imobiliário Nexity, teria recusado a oferta, assim como a deputada socialista Valérie Rabault, que indicou ter sido abordada e recusada por não concordar com o plano de aposentadoria de 65 anos. O Eliseu garante, por sua vez, que "o presidente não ofereceu o cargo de primeiro-ministro a ninguém".

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