Estados Unidos

Atirador mata 10 em mercado de Buffalo

Homem branco de 18 anos invade estabelecimento comercial com fuzil AR-15, efetua mais de 60 disparos a esmo e usa câmera para transmitir massacre ao vivo pela internet. Autoridades prendem suspeito e admitem crime de ódio com motivação racial

Correio Braziliense
postado em 15/05/2022 00:01
 (crédito: John Normile/Getty Images/AFP)
(crédito: John Normile/Getty Images/AFP)

O assassino colocou uma pequena câmera colocada sobre o capacete e filmou toda a barbárie, no supermercado Tops Friendly Markets, na cidade de Buffalo, estado de Nova York. Pouco depois das 14h30 (15h30 em Brasília), o atirador parou o carro diante do estabelecimento comercial, desceu armado com um fuzil de alta potência AR-15 e efetuou o primeiro disparo contra a cabeça de uma mulher, como mostram as imagens. "É como entrar em um filme de terror, mas tudo é real. É como o Armageddon", afirmou um policial ao jornal Buffalo News. O homem matou pelo dez pessoas: três no estacionamento e sete dentro do supermercado. Outras três  ficaram feridas, duas delas gravemente. Das 13 vítimas, 11 eram negras e duas de cor branca. Até o fechamento desta edição, as autoridades não tinham divulgado o nome do criminoso, que está sob custódia e deve ser condenado por homicídio em primeiro grau. 

Porta-voz do Twitch, plataforma da Amazon de transmissão de lives popular entre gamers, Kellen Browning revelou que o atirador fez uma live do ataque, e que o canal foi derrubado pela empresa. "Temos uma política de tolerância zero contra a violência de qualquer tipo e trabalhamos rapidamente para responder a todos os incidentes. O usário foi suspenso de nossos serviços de forma indefinida. Estamos tomando todas ações adequadas, incluindo o monitoramento de contas que estejam retransmitindo esse conteúdo", comentou. 

John C. Gacia, xerife do Condado de Eerie, declarou que "este foi um crime de ódio com motivação racial direta". "Alguém de fora da nossa comunidade veio para infligir o mal. Eu peço a todos que permaneçam calmos", desabafou. Por sua vez, Stephen Blodgett, agente especial encarregado do FBI (polícia federal dos Estados Unidos), confirmou que a linha de investigação será em relação ao crime de ódio e "caso de extremismo violento com motivação racial". 

O assassino teria publicado na rede de computadores um manifesto de 106 páginas, no qual se descreve supremacista branco e antissemita e cita a chamada "Grande Teoria da Substituição" — uma conspiração para trocar a população branca por pessoas negras e de outras etnias. O chefe de polícia de Buffalo, Joseph A. Gramaglia, afirmou que o atirador, um jovem branco de 18 anos, não morava na cidade. Ele confirmou que 13 pessoas foram baleadas, e que 10 morreram no local. Segundo John J. Flynn, promotor distrital do Condado de Erie, a polícia coletou "algumas evidências" que indicam "animosidade racial". 

Fuga

Jake Emmons, uma assistente social de 49 anos que mora a pouco mais de uma quadra do Tops Markets, contou a jornalistas que assistia a um vídeo no Youtube quando, de repente, escutou uma "quantidade tremenda de tiros". Ela estimou ter ouvido pelo menos 60 disparos. "Era o barulho de armas disparando a esmo, de uma arma militar", disse. Quando o massacre começou, Shonnell Harris, gerente de operações do Tops, começou a correr de forma frenética pela loja, caindo várias vezes, antes de fugir pelos fundos. A funcionária afirmou ao jornal Buffalo News que viu o atirador, o qual descreveu como um homem branco usando roupa camuflada. "Parecia que ele estava no Exército", comentou. 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recebeu informações atualizadas do Departamento de Segurança Interna. "Nós continuaremos a obter informações durante a noite e amanhã, à medida que surgirem. O presidente e a primeira-dama estão rezando por aqueles que morreram e por seus entes queridos", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre. "Estou monitorando ativamente a situação do tiroteio em massa no mercado. Estamos com o povo de Buffalo", escreveu o senador americano Chuck Schumer, por meio do Twitter.

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