Massacre

Salvador Ramos: de adolescente problemático a autor de massacre

Salvador Ramos, um jovem de 18 anos morto por um agente da Patrulha Fronteiriça enquanto atacava uma escola primária em Uvalde, Texas, era um cidadão americano que morava com a avó

Agence France-Presse
postado em 26/05/2022 15:56
 (crédito: social media / AFP)
(crédito: social media / AFP)

Vítima de bullying na escola, com problemas em casa e histórico de automutilações: o adolescente que matou a tiros 19 crianças em uma escola do Texas ontem tinha antecedentes similares aos de outros autores de massacres escolares.

Salvador Ramos, um jovem de 18 anos morto por um agente da Patrulha Fronteiriça enquanto atacava uma escola primária em Uvalde, Texas, era um cidadão americano que morava com a avó.

Sua conta no Instagram, agora removida, mostrava fotos de um jovem com cabelo nos ombros e olhos fechados. Seu perfil também incluía imagens de dois rifles semiautomáticos e um carregador de pistolas.

Um dia depois do atentado na escola primária Robb, que também deixou dois professores mortos, vieram a público detalhes sobre Ramos, que supostamente saiu andando e atirando pelo local e depois se entrincheirou em uma sala de aula, disparando contra todos os presentes.

O jovem havia abandonado os estudos e não tinha antecedentes criminais. Sua prima, Mia, contou ao jornal "Washington Post" que ele era ridicularizado durante o ensino fundamental por gaguejar e ter a língua presa, e pedia à avó para parar de frequentar as aulas.

Stephen Garcia, um antigo amigo de Ramos, confirmou que o bullying era um problema. “Ele era fortemente atormentado, por muitas pessoas”, disse Garcia ao jornal.

A imprensa americana também informou que Ramos tinha problemas com sua mãe, que, segundo vizinhos, era usuária de drogas. Os conflitos entre os dois eram tão graves que a polícia já foi chamada, disseram. Outro amigo do rapaz, Santos Valdez, lembrou que Ramos certa vez cortou o rosto "apenas por diversão".

O bullying e os problemas de saúde mental se tornaram denominadores comuns nos trágicos e frequentes tiroteios mortais em instituições de ensino nos Estados Unidos.

Há mais de 20 anos, dois adolescentes que haviam sofrido assédios por parte de outros alunos mataram 13 pessoas e tiraram suas vidas na escola secundária onde estudavam em Columbine, no Colorado.

Em 2007, um estudante com problemas mentais matou 32 pessoas em um massacre no Instituto Politécnico de Virgínia. O agressor, que também se suicidou, havia se referido aos atiradores de Columbine como “mártires” em um vídeo antes do ataque.

- Tiro na avó -
Também tinham transtornos mentais o autor do tiroteio na escola primária Sandy Hook, em Connecticut, que em 2012 matou 26 pessoas, e o estudante que foi expulso por motivos disciplinares e depois matou 17 pessoas em uma escola secundária em Parkland, na Flórida, em 2018.

O governador do Texas, Greg Abbott, desviou hoje de uma pergunta sobre se eram necessárias mudanças nas leis sobre as armas, focando na atenção à saúde mental: "Como estado, nós, como sociedade, precisamos fazer um trabalho melhor com a saúde mental.", disse ele.

A Associação Nacional do Rifle (NRA), poderoso grupo de pressão que tem sido fundamental para frustrar os esforços para endurecer as leis de armas dos EUA, adotou uma tática semelhante e alegou que o tiroteio foi obra de um "criminoso solitário e transtornado".

A primeira vítima de Ramos foi sua avó, 66, contra quem atirou no rosto. Ela conseguiu chamar a polícia e foi transferida de helicóptero em estado crítico para um hospital nas proximidades de San Antonio.

O atirador, que comunicou no Facebook sua intenção de atacar uma escola primária, fugiu da casa de sua avó em um veículo, vestindo um colete tático e armado com um rifle. Ele então bateu com o carro perto da Escola Primária Robb, desceu do veículo e entrou no local, onde policiais tentaram prendê-lo.

Ramos se refugiou em duas salas contíguas e atirou contra os estudantes e os professores, segundo autoridades. Pete Arredondo, comandante policial do distrito escolar de Uvalde, responsável pela investigação, disse que Ramos agiu sozinho.

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