Terrorismo

Francês é condenado à prisão perpétua por ataque terrorista que deixou 130 mortos

O homem de 23 anos é o único integrante vivo do comando de homens-bomba que espalhou o horror na capital e promoveu uma matança na casa de shows Bataclan

Demorou 2.421 dias até que a justiça fosse feita. Na tarde de ontem, o tribunal instalado no Palácio de Justiça de Paris condenou Salah Abdeslam à prisão perpétua, sem direito à liberdade condicional. O francês de 23 anos é o único integrante vivo do comando de homens-bomba que espalhou o horror na capital e promoveu uma matança de 130 pessoas na casa de shows Bataclan e em bares e restaurantes da capital. Outros 19 acusados de participarem indiretamente dos atentados também receberam penas a partir de dois anos de detenção. 

Os cinco juízes impuseram a Abdeslam a maior sentença, aplicada apenas quatro vezes na França, ainda que a defesa tenha tentado qualificá-la como "pena de morte social" e convencer os jurados de que o terrorista desistiu de se explodir na noite do atentado. Os magistrados entenderam que Abdeslam buscou o martírio e que o cinto-bomba estava defeituoso. Na última declaração à Corte, o extremista jurou inocência. "Não sou um assassino e se for condenado por assassinatos, vocês cometeriam uma injustiça. A opinião pública pensa que eu estava nos bares, atirando contra as pessoas, que estava no Bataclan. Vocês sabem que a verdade está no sentido contrário", disse. Ele não esboçou emoção ao escutar o veredicto, de braços cruzados. 

Presidente da Vida por Paris, uma organização não-governamental que reúne sobreviventes dos atentados de 13 de novembro de 2015, Arthur Dénouveaux esteve ontem na Corte para acompanhar o desfecho do julgamento. "A pena perpétua deve ser colocada em perspectiva com os atos cometidos. Nós passamos 10 meses discutindo isso. Então, em me sinto à vontade com a sentença. Embora tudo isso pudesse ter sido evitado, o terrorismo é um beco sem saída", afirmou ao Correio. "A Justiça pode ser dura, e tem que ser dura mesmo, mas justa. Creio que isso ocorreu."

Hoje, Dénouveaux consegue controlar as lembranças daquele dia macabro, após anos de terapia. "Eu estava lá, dentro do Bataclan, e enfrentei o que é impossível descrever. É algo que desejo esquecer", desabafou. De acordo com ele, o terrorismo torna a tranquilidade impossível. "A Justiça está aqui para fazer com que alcancemos a paz", comemorou.  

Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, afirmou que a condenação de Abdeslam é "um alívio para a nação". "Nesta noite, tenho um pensamento comovido para os entes queridos das vítimas, cuja dor jamais deixará de existir. Nosso dever, agora, é aniquilar o fundamentalismo islâmico", escreveu no Twitter. Até o fechamento desta edição, o presidente francês, Emmanuel Macron, não havia se pronunciado sobre o julgamento. 

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