EUA

Por que apoiadores de Trump têm medo de protestar como ele pediu?

Pequeno grupo de apoiadores de Trump se reuniu perto da casa do ex-presidente em Mar-a-Lago Club, na Flórida, na terça-feira (21/3)

BBC
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postado em 22/03/2023 10:24
 (crédito: Getty Images)
(crédito: Getty Images)


O ex-presidente americano Donald Trump convocou seus apoiadores para irem às ruas na terça-feira (21/3) em protesto contra uma possível prisão sua, e as polícias de diversas cidades do país se prepararam para confrontos e confusão.

No entanto, ao contrário do que pediu Trump, muitos de seus apoiadores mais fervorosos mandaram um recado diferente para a sua base: fiquem em casa.

É possível entender essa contradição ao navegar pelos sites e plataformas pró-Trump na internet.

Nas principais redes sociais, aplicativos de mensagens e no próprio Truth Social — que pertence a Trump — há diversos tipos de boatos circulando.

Muitos apoiadores de Trump sugerem que manifestações em favor do ex-presidente seriam tomadas por infiltrados que realizariam ataques com a intenção de culpar os oponentes pela violência.

Essa é a visão que muitos apoiadores de Trump têm da violenta invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Eles dizem que a violência foi instigada não por apoiadores de Trump e grupos de extrema direita, como Proud Boys e Oath Keepers, mas sim por agentes federais ou "antifas" de esquerda — ativistas antifascismo que combatem Trump.

Eles dizem que a prova disso é a presença — revelada em documentos judiciais — de informantes secretos do FBI em meio aos manifestantes naquele dia.

Mas isso é muito diferente de dizer que houve um complô das autoridades federais para desencadear a violência. Embora não haja evidências disso — e haja evidências concretas de que as mais de mil pessoas presas em conexão com a invasão do Capitólio eram realmente apoiadores de Trump — sites alternativos de notícias não param de reproduzir especulações e conspirações sem embasamento.

Algumas dessas notícias chegaram até mesmo a canais mais convencionais, como a conservadora Fox News.

Os rumores e o medo de uma repetição dos eventos de janeiro de 2021 fizeram com que muitos desistissem de protestar a favor de Trump na terça-feira desta semana.

Ali Alexander, um ativista de extrema direita que organizou protestos que levaram à invasão do Capitólio, anunciou que não pretendia protestar e disse que o teórico da conspiração Alex Jones, do site Infowars, também ficaria em casa.

Tweet de Ali Alexander
Twitter
Apoiador de Trump Ali Alexander anunciou no Twitter que não iria aos protestos de terça-feira

A deputada republicana da Geórgia, Marjorie Taylor Greene, conhecida por sua lealdade a Trump, também disse que não iria aos protestos.

Tweet de Marjorie Taylor Greene
Twitter
Deputada apoiadora de Trump questiona quantos agentes federais estariam supostamente infiltrados em protestos

O mesmo tipo de preocupação foi divulgado em grupos pró-Trump no Facebook, em canais do Telegram, em sites como o 4chan e no Truth Social.

"A maior parte da conversa que vi sobre os protestos é que todos eles vão estar cheios de agentes federais ou armados pelo 'Estado profundo' para exibir bandeiras falsas e fazer com que os 'manifestantes pacíficos' pareçam violentos", diz o especialista em teoria da conspiração Mike Rothschild.

Rothschild, autor do livro The Storm is Upon Us, sobre a teoria da conspiração QAnon, observou que um protesto na segunda-feira realizado pelo clube de jovens republicanos de Nova York atraiu apenas algumas dezenas de apoiadores.

"Acho que parte disso é paranoia legítima de ser preso, e parte é que hoje há menos pessoas com a devoção fanática a Trump do que em 6 de janeiro [de 2021]", diz ele.

Em contraste com suas mensagens na época da invasão do Capitólio, Trump não foi específico sobre onde exatamente os manifestantes deveriam protestar.

Mas há indícios de que a violência retórica contra os oponentes de Trump está aumentando. O Advance Democracy, um grupo de pesquisa não partidário, disse que as menções à violência triplicaram na plataforma Truth Social depois que Trump declarou no sábado que seria preso e enviou a seus apoiadores a mensagem: "PROTESTEM, RETOMEM NOSSA NAÇÃO!"

As autoridades parecem estar levando a sério essas ameaças e a possibilidade de grandes protestos.

A polícia de Nova York reforçou a segurança em torno do tribunal onde Trump seria preso. A polícia de Los Angeles se preparou para um protesto pró-Trump na terça-feira em frente a um prédio federal.

Em Washington, agentes ficaram de prontidão.

No próximo sábado, Trump deve realizar um comício em Waco. A cidade do centro do Texas foi o local de um ataque a um culto cristão em 1993, que resultou na morte de 82 membros do culto e quatro agentes federais, um incidente que sempre foi muito criticado por grupos antigoverno.

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