A decisão do governo de Benjamin Netanyahu de convocar 60 mil reservistas para a tomada da Cidade de Gaza agravou ainda mais o desespero dos palestinos. "Estamos vivendo um estado de medo e de ansiedade depois desse anúncio. Tais medidas nos remontam aos estágios iniciais da guerra, com suas cenas de destruição, deslocamento e sofrimento. Tememos que essa escalada seja o prelúdio de mais operações militares em larga escala que poderiam ameaçar nossas vidas", desabafou ao Correio o fotógrafo Abood Abusalama, 28 anos, morador de Jabaliya — alvo de bombardeios ontem.
"Os israelenses são traiçoeiros. Eu apenas acompanho as notícias a cada minuto e rezo para Alá para que isso não ocorra. Perderemos tudo", disse à reportagem Mohammed Hiesham Salem, 29. Para ele, a estratégia de Israel é pressionar militarmente o Hamas. "As pessoas daqui estão com medo da ideia de novos deslocamentos forçados, especialmente depois da quantidade de sofrimento e de destruição que experimentamos ao longo de quase dois anos de guerra."
O movimento fundamentalista islâmico Hamas reagiu à convocação dos reservistas e denunciou um "desprezo flagrante" aos esforços de mediação para alcançar um cessar-fogo. O ministro (da Defesa) Israel Katz "aprovou o plano de ataque do Exército israelense na Cidade de Gaza e autorizou a emissão de ordens de mobilização dos reservistas necessários", que somam cerca de 60 mil homens, informou seu ministério. "Netanyahu demonstra que é o verdadeiro obstáculo para qualquer acordo, que não se importa com a vida (dos reféns israelenses) e que não tem a intenção séria de recuperá-los", declarou o Hamas, por meio de um comunicado.
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