FAIXA DE GAZA

Trump confirma convite a Putin para integrar o 'Conselho de Paz'

A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para fazerem parte deste Conselho, presidido pelo próprio Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que convidou seu homólogo russo, Vladimir Putin, para se juntar ao seu "Conselho de Paz", uma organização que reivindica a missão de "promover a estabilidade" no mundo. 

A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para fazerem parte deste Conselho, presidido pelo próprio Trump, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. 

Os países membros — representados por seus chefes de Estado ou de Governo — podem participar por três anos, ou por um período mais longo caso paguem mais de 1 bilhão de dólares (5,36 bilhões de reais) em dinheiro no primeiro ano, de acordo com o documento fundador obtido pela AFP na segunda-feira (19/1). 

Questionado na segunda-feira por um repórter na Flórida se havia convidado Putin para se juntar ao Conselho, Trump respondeu: "Sim, ele foi convidado". 

A China também foi convidada, conforme confirmado pelo seu Ministério das Relações Exteriores nesta terça-feira (20), sem especificar se aceitou o convite ou não.

Trump, o "primeiro presidente"

"O Conselho de Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos", afirma o preâmbulo de seus "estatutos". 

O texto critica "as diversas abordagens para a paz" que "institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem", em clara alusão às Nações Unidas. 

Considera também necessário ter "uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz". 

Trump será "o primeiro presidente do Conselho de Paz", com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a seu critério. Ele terá a palavra final nas votações. 

Ele também poderá revogar a participação de um país, exceto em caso de veto por dois terços dos Estados-membros. 

Além disso, terá "autoridade exclusiva" para "criar, modificar ou dissolver entidades subsidiárias" do Conselho de Paz e será "a autoridade final quanto ao significado, interpretação e aplicação" dos estatutos fundadores.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de 1 bilhão de dólares em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano de entrada em vigor desta Carta", acrescenta o documento. 

Este Conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas seu estatuto não parece limitar sua função ao território palestino ocupado.

França e Canadá 

A reação inicial da França e do Canadá, aliados importantes dos Estados Unidos, foi fria. 

"Neste momento, a França não pode aceitar", disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na segunda-feira, durante um debate com parlamentares franceses, observando que os estatutos do Conselho vão além do escopo da reconstrução e governança de Gaza no pós-guerra, que são apoiadas pela ONU. 

Ele acrescentou que isso é "incompatível com os compromissos internacionais da França e, em particular, com sua participação nas Nações Unidas". 

Na segunda-feira, Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses para pressionar o país europeu a aderir ao Conselho. O círculo íntimo do presidente Emmanuel Macron rapidamente rejeitou a ameaça como "ineficaz" e "inaceitável". 

A França ocupa um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e tem poder de veto. 

Da mesma forma, uma fonte de Ottawa afirmou que "o Canadá não pagará por um assento no Conselho, nem foi solicitado a fazê-lo neste momento", depois que o primeiro-ministro indicou que aceitaria um convite para participar.

Paul Williams, professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington, lembrou à AFP que a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em outubro, que apoia o plano de paz de Trump para Gaza, concedeu ao "Conselho de Paz" autoridade para agir apenas em relação ao território palestino.

Contra as instituições internacionais

A ideia parece contrariar instituições internacionais, como a ONU. 

Trump tem criticado regularmente as Nações Unidas e anunciou este mês que seu país se retirará de 66 organizações e tratados internacionais, dos quais aproximadamente metade está ligada à ONU. 

Neice Collins, porta-voz do presidente da Assembleia Geral da ONU, disse a jornalistas: "Existe apenas uma organização universal e multilateral para tratar de questões de paz e segurança, e essa é a Organização das Nações Unidas". 

O "Conselho de Paz" começou a tomar forma no sábado, com convites estendidos aos líderes de Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Brasil para participarem. 

Trump também nomeou como membros o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; seu principal negociador de conflitos, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner. 

Israel se opôs à criação de um "conselho executivo para Gaza" que operaria dentro do órgão central.

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