A pressão para que a administração de Donald Trump investigue o assassinato de Alex Pretti, enfermeiro norte-americano de 37 anos, morto no sábado em Minneapolis, ganhou força, ontem, com novas manifestações de políticos democratas e republicanos. Uma análise dos vídeos que flagraram a ação mostra um agente da Patrulha de Fronteira retirando uma arma da cintura da vítima, que já estava rendida, no chão, quando foi alvejada por um policial do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE. Pretti não manuseava o objeto e, segundo a família, tinha permissão para portá-lo.
Em duas longas publicações na Truth Social, Trump ameaçou acabar com as cidades-santuário — que adotam políticas de proteção ao imigrante —, afirmando que essas localidades escondem "criminosos". Ele também culpou a liderança democrata pela morte de Pretti e da norte-americana Renee Good, executada em circunstâncias semelhantes 17 dias antes, também em Minneapolis. "Tragicamente, dois cidadãos americanos perderam suas vidas como resultado desse caos provocado pelos democratas", escreveu o magnata republicano.
Horas antes, o ex-presidente democrata Barack Obama divulgou um comunicado classificando o assassinato como "uma tragédia comovente". "Também deve ser um alerta para todos os norte-americanos, independentemente de partido, de que muitos de nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque".
Na nota, assinada com a ex-primeira-dama Michelle Obama, o democrata acusou os agentes federais de atuarem de forma ilegal e sem transparência em Minnesota. "Há semanas que pessoas em todo o país estão, com razão, indignadas com o espetáculo de recrutas mascarados do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e outros agentes federais agindo com impunidade e empregando táticas que parecem ter como objetivo intimidar, assediar, provocar e colocar em risco os moradores de uma grande cidade norte-americana", disse ele. O ex-presidente pediu à população para apoiar a onda de protestos pacíficos em Minneapolis e em outras partes do país.
"Chega!"
Os protestos contra a atuação do ICE vieram de todos os espectros políticos. "Chega! É inaceitável que cidadãos norte-americanos sejam mortos por agentes federais por exercerem seus direitos constitucionais e dados por Deus de protestar contra o governo", instou, ontem, o governador republicado de Vermont, Phill Scott. Em nota, ele pediu para Trump reduzir a tensão nas ações federais no estado. Desde 6 de janeiro, 1,2 mil agentes do ICE fazem fiscalizações entre Minneapolis e Saint Paul, capital de Minnesota. "Na ausência de ação presidencial, o Congresso e os tribunais devem intervir para restaurar a constitucionalidade", disse Scott.
Parlamentares também pressionam para que a investigação do assassinato de Pretti seja transparente — desde sábado, agentes locais e estaduais denunciam dificuldade de acesso à cena do homicídio. A senadora democrata Tina Smith acusou o governo Trump de encobrir o assassinato do enfermeiro e disse que o governo federal ignora uma ordem judicial que garante acesso dos policiais de Minnesota às evidências relativas à morte de Pretti. "Mesmo com o mandado, os agentes federais se recusam a fornecer a eles esse acesso. Isso parece muito com uma cobertura", assinalou.
Em um comunicado divulgado no sábado, a secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, afirmou que seu departamento liderará a investigação sobre o assassinato. Ontem, em entrevista à CBS News, o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, disse não ter recebido qualquer cooperação federal. O republicado Thom Tillis, da Carolina do Norte, publicou em suas redes sociais que "qualquer autoridade do governo que se precipite em julgamentos e tente encerrar uma investigação antes mesmo de ela começar, estará prestando um desserviço enorme à nação e ao legado do presidente Trump."
Porém, as autoridades federais continuam defendendo a ação dos agentes do ICE, que foram retirados de Minneapolis por temor de serem identificados e sofrerem represália. O chefe da operação de imigração de Trump, o comandante da Patrulha da Fronteira Greg Bovino, disse à CNN que os agentes federais são "as vítimas". Segundo ele, Pretti "perpetrou violência durante uma operação ativa de fiscalização da imigração".
Cooperação
Nas publicações na plataforma Truth Social, Donald Trump acusou "cidades e estados governados por democratas, que se dizem santuários para imigrantes ilegais" de recusarem a "cooperar com o ICE". "Na verdade, estão incentivando agitadores de esquerda a obstruir ilegalmente suas operações para prender os piores criminosos!", escreveu.
Enfrentando -20°C, cidadãos de Minneapolis voltaram às ruas, ontem, para prestar homenagens a Alex Pretti. Com faixas de "Fora ICE" e "Todos nós vimos" (referindo-se às filmagens da morte do enfermeiro), os manifestantes exigiram justiça.
Os pais de Pretti divulgaram um comunicado dizendo que estão "com o coração partido, mas também muito revoltados". "As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas", escreveram Susan e Michael Pretti. "Alex claramente não estava armado quando foi atacado pelos covardes e assassinos agentes do ICE de Trump. Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de derrubar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta."
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