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Trump diz que mundo tem 10 dias para ver se Irã concorda com acordo ou 'coisas ruins acontecerão'

Presidente americano deu declaração em reunião de Conselho de Paz em Washington. Enquanto enviados do governo americano negociam com Irã sobre seu programa nuclear, EUA reforça contingente de tropas no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o mundo descobrirá "nos próximos provavelmente 10 dias" se o país chegará a um acordo com o Irã ou se tomará medidas militares.

Na primeira reunião de seu Conselho de Paz em Washington, Trump disse sobre as negociações com a república islâmica a respeito de seu programa nuclear: "Temos que fazer um acordo significativo, caso contrário coisas ruins acontecerão."

Nos últimos dias, os EUA aumentaram suas forças militares no Oriente Médio, enquanto progressos foram relatados nas negociações entre americanos e iranianos na Suíça.

O governo iraniano disse ao secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) que considerará as bases americanas na região como alvos legítimos, caso sejam usadas em qualquer agressão militar contra o Irã.

A missão do Irã na ONU afirmou, em carta ao secretário-geral António Guterres, que a retórica de Trump sinalizava um risco real de ataque, mas ressaltou que o Irã não desejava uma guerra.

Parlamentares democratas e alguns republicanos manifestaram oposição a qualquer possível ação militar no Irã sem a aprovação do Congresso.

Em seu discurso, o presidente americano observou que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, que também é seu genro, tiveram "algumas reuniões muito boas" com representantes do Irã.

"Ao longo dos anos, provou-se que não é fácil fechar um acordo significativo com o Irã", disse ele. "Caso contrário, coisas ruins acontecem."

Um dia antes, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, alertou que o Irã seria "muito sábio" em fazer um acordo com os EUA, acrescentando que Trump ainda esperava uma solução diplomática para o programa nuclear de Teerã.

O Conselho de Paz de Trump

Quando Trump anunciou pela primeira vez o Conselho de Paz, acreditava-se que seu objetivo era ajudar a encerrar a guerra de dois anos entre Israel e o Hamas em Gaza e supervisionar a reconstrução.

Mas, no último mês, sua missão pareceu ir além de um único conflito, com muitos se perguntando se o conselho presidido por Trump, composto por cerca de duas dezenas de países, tem como objetivo marginalizar as Nações Unidas.

Em junho, um ataque aéreo dos EUA atingiu três instalações nucleares iranianas, e a Casa Branca estaria discutindo novas ações militares esta semana.

As forças americanas têm intensificado sua presença na região nas últimas semanas, incluindo o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln.

No entanto, a BBC apurou que o governo britânico não autorizou os EUA a usar bases militares do Reino Unido para apoiar quaisquer ataques potenciais ao Irã. Em operações militares anteriores no Oriente Médio, os EUA utilizaram a RAF Fairford, em Gloucestershire, e o território ultramarino britânico de Diego Garcia, no Oceano Índico.

Imagens de satélite também mostraram que o Irã reforçou suas instalações militares, e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, publicou mensagens nas redes sociais ameaçando as forças americanas.

"O presidente americano afirma constantemente que os EUA enviaram um navio de guerra em direção ao Irã. É claro que um navio de guerra é um equipamento militar perigoso", dizia uma das postagens de Khamenei. "No entanto, mais perigosa do que esse navio de guerra é a arma que pode afundá-lo."

Vários membros do Congresso americano expressaram oposição a qualquer ação militar contra o Irã.

O democrata Ro Khanna, da Califórnia, e o republicano Thomas Massie, do Kentucky, afirmaram que tentarão forçar uma votação sobre o assunto na próxima semana, citando a Lei de Poderes de Guerra de 1973.

A lei concede ao Congresso a capacidade de controlar o poder do presidente de comprometer os EUA em conflitos armados. "Uma guerra com o Irã seria catastrófica", publicou Khanna nas redes sociais. "O Irã é uma sociedade complexa de 90 milhões de pessoas com defesas aéreas e capacidades militares significativas."

Ele também disse que milhares de soldados americanos na região "poderiam estar em risco de retaliação".

As chances de aprovação de um ataque militar em ambas as casas do Congresso não são fortes. Em janeiro, os senadores republicanos bloquearam uma resolução semelhante sobre poderes de guerra que exigiria que o governo Trump obtivesse a aprovação do Congresso antes de lançar novas operações militares na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro.

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