ORIENTE MÉDIO

EUA dizem que situação de negociação com Irã é 'fluida' e preço do petróleo volta a subir

Presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã quer 'muito fazer um acordo'. Irã confirma ter recebido 'pontos' dos EUA, mas diz que negociação é 'fake news'.

O preço do petróleo voltou a subir no mundo nesta terça-feira (24/3), após surgirem incertezas sobre as perspectivas de negociações entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.

O presidente americano, Donald Trump, disse na segunda-feira que o Irã quer "muito fazer um acordo" e que se reuniria "provavelmente por telefone" com representantes iranianos.

Alguns veículos de imprensa publicaram que o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner — conhecido como "conselheiro de Trump" — estariam negociando com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf.

Mas uma conta do X atribuída a Mohammad-Bagher Ghalibaf publicou que nenhuma negociação ocorreu com os EUA, chamando tudo de "fake news" (notícias falsas) para "manipular" os mercados de petróleo.

Um funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores iraniano disse à rede americana CBS News que o país recebeu "pontos [para um acordo] dos EUA por meio de mediadores e eles estão sendo analisados". A CBS noticiou que isso seria um passo anterior a negociações — e que não há nenhuma negociação confirmada em andamento.

Na manhã desta terça-feira (24/3) na Ásia, o preço do petróleo Brent voltou a ficar acima de US$ 100 por barril, após ter despencado mais de 10% na segunda-feira — depois que Trump havia anunciado que estava adiando sua ameaça de atacar usinas de energia do Irã após "conversas boas" com Teerã, sugerindo que poderia haver em breve um fim para o conflito.

O petróleo subiu 3,75%, atingindo US$ 103,69 nesta terça-feira, refletindo a desconfiança de investidores de que existem mesmo negociações em andamento entre EUA e Irã.

Contatada pela BBC, a Casa Branca disse que a situação é "fluida", e não deu mais detalhes sobre as supostas negociações.

"Estas são discussões diplomáticas delicadas e os EUA não negociam através da imprensa", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em um comunicado à BBC.

"Esta é uma situação fluida, e especulações sobre encontros não devem ser dadas como definitivas até que sejam formalmente anunciadas pela Casa Branca."

Ameaça de ataque adiado

Trump disse na segunda-feira que o Irã quer "muito fazer um acordo" com os EUA.

"Nós também gostaríamos de fazer um acordo", disse, a repórteres, antes de embarcar em seu avião presidencial, o Air Force One, em Palm Beach, na Flórida. "Temos uma chance muito séria de um acordo", disse Trump, acrescentando que "isso não garante nada; não estou garantindo nada".

O presidente dos EUA também afirmou que os dois países estão discutindo 15 pontos para encerrar a guerra, com o Irã renunciando às armas nucleares como os pontos "número um, dois e três".

Trump sugeriu que o Irã poderia concordar em abandonar os planos para um programa de armas nucleares em troca da paz.

"Amanhã de manhã, em algum horário deles, esperávamos explodir suas maiores usinas de geração de energia elétrica, que custaram mais de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para construir", afirmou Trump na segunda. "Era uma usina muito boa, não havia falta de dinheiro. Um tiro e ela se vai. Desaba. Por que eles iriam querer isso?".

Na noite de sábado (21/3), o presidente americano havia dito que, se o Estreito de Ormuz não fosse aberto "sem ameaças" em 48 horas, os EUA "aniquilariam" as usinas de energia iranianas. O Irã havia prometido reagir a qualquer eventual ataque americano com escalada de violência.

Segundo Trump, após a ameaça, autoridades do Irã teriam ligado para ele querendo fazer um acordo. Por isso, ele recuou, suspendendo por cinco dias qualquer ataque a usinas iranianas.

Novos ataques de Irã e Israel

EPA
Em Tel Aviv, zona residencial foi atacada

Na madrugada de segunda para terça, o Irã lançou diversas ondas de mísseis contra Israel, provocando danos em prédios em Tel Aviv e na região central do país.

No Líbano, a imprensa estatal noticiou ataques de Israel a Beirute. Pela manhã, as forças israelenses emitiram um alerta para que residentes evacuassem a área, em preparação para um novo ataque conta alvos ligados ao grupo xiita militante Hezbollah.

Israel também disse que suas forças realizaram uma "grande onde de ataques aéreos" contra "infraestrutura do regime" em Teerã.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse na noite de segunda-feira — após conversa por telefone com Trump — que Israel continuará atacando o Irã e o Líbano.

"Nós estamos destruindo o programa de mísseis e o programa nuclear. Vamos garantir nossos interesses vitais em qualquer cenário", publicou Netanyahu no X.

Há relatos de novos ataques aéreos no leste de Teerã nesta terça-feira.

O Comando Central dos EUA disse que vai continuar "atacando agressivamente alvos militares iranianos com munições de precisão".

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