O presidente Donald Trump reafirmou que seguem "fluidas" as conversações dos Estados Unidos com "pessoas confiáveis" no Irã para encontrar uma saída da guerra iniciada em 28 de fevereiro, com uma ofensiva conjunta norte-americana e israelense contra a República Islâmica. "Estamos negociando neste momento", afirmou. Trump mencionou "um presente muito grande" que teria sido oferecido pelos interlocutores em Teerã, "uma soma de dinheiro muito grande" envolvendo petróleo e gás. O lado iraniano não comentou as declarações, mas seguiu a troca de ataques de mísseis e drones com Israel, cujo governo afirmou que seguirá combatendo mesmo que Washington chegue a algum acordo com Teerã.
No terreno de combate, um míssil iraniano deixou ontem nove feridos em Tel Aviv, segunda maior cidade de Israel e capital reconhecida por quase toda a comunidade internacional — inclusive o Brasil. O Exército israelense, por sua vez, lançou "uma série de bombardeios em larga escala em várias regiões do Irã", inclusive em Isfahan. De acordo com a agência iraniana de notícias Fars, foi atingida também uma usina de tratamento do gasoduto de Khorramshar, no sudoeste do país.
Falando à imprensa na Casa Branca, Trump reafirmou que seu governo estaria conversando com "as pessoas certas" no Irã, e que elas estariam "querendo muito fazer um acordo" com os EUA, incluindo a promessa de que "nunca vão ter uma arma nuclear". Sem mencoinar quem seriam as contrapartes, disse que, pelo, lado norte-americano, estariam em cena o vice-presidente, JD Vance; o secretário de Estado, Marco Rubio; e os enviados especiais Jared Kushner. Depois de mencionar o "grande presente" que teria sido oferecido aos EUA pelos negociadores iranianos, repetiu o tom dos últimos dias e anunciou que "essa guerra está ganha".
As idas e vindas do presidente colocam uma dose de incerteza sobre os rumos traçados em Washington para uma eventual saída do conflito. Na segunda-feira, Trump adiou por cinco dias o ultimato que tinha feito a Teerã para que liberasse o tráfego naval pelo Estreito de Ormuz, sob pena de sofre um "ataque maciço" a suas centrais elétricas. Ontem, a porta-voz Karoline Leavitt reforçou que a Casa Branca segue explorando "novas opções" diplomáticas, mas "continua sem cessar a ofensiva para atingir os objetivos militares estabelecidos pelo comandante-em-chefe e pelo Pentágono".
O Irã, até aqui, desmente que venha mantendo qualquer tipo de conversações, mas observadores do cenário no Oriente Médio acreditam, que os emissário de Trump tenham estabelecido algum nível de diálogo indireto com o concurso de países da região. "O Paquistão é um dos poucos países que mantêm relações próximas tanto com Teerã quanto com Washington", sugere Michael Kugelman, especialista em sudeste asiático no centro de estudos Atlantic Council. O premiê Sehbaz Sharif manifestou disposição para hospedar negociações diretas, e eu governo teria recebido dos EUA uma proposta de paz com 15 pontos, segundo o jornal 'The New York Times'. Turquia e Egito também são mencionados como possíveis interlocutores e, eventualmente, facilitadores do processo.
Em entrevista ao Correio, o historiador Arash Azizi, da Universidade de Yale, disse acreditar que "alguma modalidade de conversação" esteja em andamento entre Washington e Teerã, "ainda que seja na forma de ambas as partes estarem conversando com terceiros, como os sauditas e paquistaneses". Na sua avaliação, a relutância aparente de Israel em colocar um ponto final na guerra, ainda que não tenha atingido os próprios objetivos — principalmente, a queda do regime islâmico no Irã —, deve esbarrar nas decisões de Trump. "Ele terá a última palavra, e Israel terá de seguir o que ele decidir", afirma. "E duvido que Israel queira continuar essa guerra para sempre."
