A cerca de seis meses das eleições de 2026, a corrida pelo Palácio do Planalto já começa a tomar forma e pelo menos sete nomes já se lançaram na disputa.
Na tarde desta segunda-feira (30/3), o PSD anunciou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência.
O anúncio foi oficializado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, em uma coletiva de imprensa em São Paulo.
Durante o evento, Caiado fez críticas ao PT, disse que seu objetivo é pacificar o Brasil e defendeu anistia "ampla, geral e irrestrita".
"O desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil: no segundo ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país", afirmou.
"Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil, ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente. Eu estarei dando uma amostra que a partir dali eu vou cuidar das pessoas."
Caiado foi escolhido para concorrer à Presidência pelo PSD após disputar internamente a vaga com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, que desistiu da disputa na semana passada.
Horas antes do anúnico, Leite publicou um vídeo nas redes sociais afirmando estar "desencantado" com a decisão da sigla, e que a escolha por Caiado mantinha a "radicalização polarizada" no Brasil.
"Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão", declarou.
Político experiente com uma trajetória de mais de três décadas, passando pela Câmara dos Deputados e Senado, Ronaldo Caiado lançou duas vezes sua pré-candidatura para presidente em 2026.
A primeira foi em abril de 2025, quando ainda fazia parte dos quadros do União Brasil.
Em um evento do partido em Salvador — que não contou com a presença do presidente da sigla, Antônio Rueda — Caiado disse que era candidato ao pleito. Após pressões internas para desistir da candidatura, ele anunciou sua saída do União e se filiou ao PSD em janeiro deste ano.
Na época, Caiado concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil, em que criticou o PT, mas evitou falar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e em 2022, Caiado se afastou do bolsonarismo durante a pandemia, por defender posições diferentes em relação ao isolamento social, e também ao repudiar os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o ocorrido, na época, como "inadmissível, inaceitável e condenável".
Caiado é visto como um dos principais representantes políticos do "agro". Na pesquisa mais recente da Atlas/Bloomberg, Caiado aparece com 3,7% das intenções de voto no primeiro turno.
Caso a candidatura de Caiado decole, essa não seria a primeira vez que ele disputa a presidência da República.
Em 1989, Caiado concorreu à cadeira do Palácio do Planalto e ficou em 10º lugar, com menos de 1% dos votos.
Além do governador de Goiás, outro seis nomes se mantêm como pré-candidatos à Presidência da República.
Entre eles está o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará seu quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal candidato da oposição e representante do clã Bolsonaro nas eleições — já que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não poderá concorrer ao pleito em 2026.
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em 1° e 2° lugar em pesquisas de intenção de voto do primeiro turno, e tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.
Outros pré-candidatos incluem o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP).
Esse quadro, contudo, pode mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), novos nomes podem surgir e outros desistir da disputa.
O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.
A BBC News Brasil lista os nomes que até o momento anunciaram pré-candidatura à Presidência.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Durante a campanha eleitoral em 2022, Lula chegou a dizer que caso fosse eleito, seria "um presidente de um mandato só".
Mas, nos últimos anos, o petista veio dando sinais de que poderia mudar de ideia.
Em 2025, as durante um evento no Rio de Janeiro, Lula foi direto ao dizer que o país poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes".
Meses depois, durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, ele confirmou a jornalistas, durante coletiva de imprensa, que iria concorrer a um quarto mandato.
Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição para presidente.
O atual mandatário aparece em primeiro lugar em todos os cenários de 1º turno da eleição presidencial, segundo pesquisa mais recente divulgada pela Atlas/Bloomberg em 25/03.
Os percentuais de intenção de voto de Lula variam entre 45,5% e 45,9%.
O desafio do petista contudo, é enfrentar a rejeição. A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados não votariam no atual presidente.
Flávio Bolsonaro (PL)
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando foi eleito para deputado estadual do Rio de Janeiro.
Na Assembleia Legislativa, ele exerceu quatro mandatos até se tornar senador da República em 2018, sendo reeleito em 2022.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi lançada em dezembro de 2025, quando ele anunciou ter sido escolhido pelo pai para ser o candidato do PL a disputar a Presidência.
A escolha foi confirmada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
O anúncio foi feito após semanas de desentendimentos entre membros da família Bolsonaro e da oposição em torno de articulações sobre quem deveria liderar a direita bolsonarista.
Flávio deverá ser o principal candidato da oposição. Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto realizados pela Atlas/Bloomberg, com índices que variam entre 40,1% e 42,4%.
A mesma pesquisa apontou uma ligeira vantagem de Flávio se disputasse o 2º turno com Lula — ele teria 47,6%, e Lula, 46,6%.
Mas, assim como Lula, o filho do ex-presidente também enfrenta alta rejeição. 46,1% dos entrevistados pela pesquisa informaram que não votariam em Flávio Bolsonaro em 2026.
Romeu Zema (Novo)
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, durante um evento em São Paulo.
Na ocasião, ele fez críticas a Lula e disse que iria "varrer o PT do mapa".
Em entrevista à BBC dias antes de se lançar como pré-candidato, Zema admitiu ter afinidade em propostas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que poderia não ter o apoio dele na eleição.
Tanto em 2018 quanto em 2022, Zema declarou apoio a Bolsonaro nas eleições presidenciais.
O empresário mineiro estreou na política em 2018, quando disputou sua primeira eleição para o governo de Minas Gerais.
Ele venceu no segundo turno com mais de 70% dos votos válidos e se tornou o primeiro governador eleito pelo partido Novo. Zema foi reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos no primeiro turno.
Antes de entrar para a política, Zema atuou por 26 anos como CEO do Grupo Zema, que atua nos mercados de varejo, distribuição de combustível, concessionárias de veículos, serviços financeiros e autopeças. Em 2022, ele declarou um patrimônio de quase R$ 130 milhões.
O governador de Minas Gerais pode ser o terceiro candidato lançado pelo Novo à Presidência.
Em 2018, o empresário João Amoêdo, então presidente do partido, surpreendeu ao terminar o primeiro turno em quinto lugar — com 2,5% dos votos válidos —, à frente de candidatos como Henrique Meirelles e Marina Silva (Rede).
Já em 2022, o Novo lançou o cientista político Felipe D'Ávila, que recebeu 0,47% dos votos válidos.
Zema aparece com intenções de voto que variam entre 3,1% e 3,7%, a depender do candidato escolhido pelo PSD para concorrer ao pleito.
No último domingo (22/03), o governador de Minas Gerais renunciou ao mandato para ser candidato à Presidência.
Pela legislação eleitoral, interessados em disputar as eleições de 2026, que exercem funções públicas, têm até o dia 04 de abril para se afastar do cargo.
Aldo Rebelo (DC)
Figura histórica do PCdoB, ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, o ex-ministro Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo partido Democracia Cristã (DC) no fim de janeiro.
Durante o evento, fez críticas ao governo do presidente Lula, de quem foi aliado, e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e comandou ministérios estratégicos nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. Mas, nos últimos anos, afastou-se desse campo político e se aproximou do bolsonarismo.
Rebelo chegou a convidar o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, do governo Bolsonaro, para compor sua chapa como vice.
Rebelo é jornalista, foi deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007.
Ele tem entre 0,6% e 0,8% nos cenários da pesquisa Atlas/ Bloomberg.
Em 2022, o DC lançou José Maria Eymael — que usou o nome de Constituinte Eymael para as urnas — como candidato à Presidência. Ele teve 0,01% dos votos válidos.
Renan Santos (Missão)
Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos lançou em janeiro sua pré-candidatura à Presidência pelo Missão, legenda idealizada por integrantes do próprio MBL.
Na pesquisa Atlas/ Bloomberg ele fica entre 4,4% e 4,6% das intenções de voto.
O Movimento Brasil Livre foi criado em 2014 e ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando ajudou a organizar protestos de rua contra o governo do PT.
Junto com Kim Kataguiri (União), que hoje exerce o cargo de deputado federal, Santos ficou conhecido por sua atuação nas mobilizações de rua e presença nas redes sociais.
Em 2018, o MBL apoiou a candidatura de Bolsonaro. Em 2022, fizeram campanha pelo voto nulo no segundo turno.
Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro do ano passado, Kataguiri disse que apoiar Bolsonaro em 2026 estava "fora de cogitação" e que Santos seria o representante do movimento.
Samara Martins (UP)
No início de fevereiro, o Partido Unidade Popular (UP) lançou Samara Martins como pré-candidata à disputa pelo Palácio do Planalto.
Samara tem 36 anos, é dentista e vice-presidente nacional do partido. Ela também atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária.
O nome dela não aparece nas pesquisas.
Na última eleição, o UP lançou Léo Péricles como candidato à presidência. Ele obteve 0,05% dos votos válidos.
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